Maus-tratos vão além do físico
PUBLICAÇÃO
quarta-feira, 14 de março de 2012
Érika Gonçalves <br> Reportagem Local 
Quando se fala em maus-tratos contra animais, logo vem à cabeça agressões físicas. Mas agredir um animal não se resume a isso e determinadas ações, aparentemente inofensivas, podem sim ser motivo de problemas para animais e proprietários.
Cristina Yuki Tanaka, veterinária voluntária da ONG SOS Vida Animal, explica que animais que passam o dia todo presos em correntes ou canis pequenos, sem abrigo, sem alimento ou água e sem higiene também podem ser considerados maltratados.
''O animal pode ficar no máximo 12 horas preso em algum lugar, mas deve ter como se abrigar da chuva e do sol e com espaço suficiente para não ficar em contato com suas fezes e urina. Depois o animal deve ficar solto para poder se exercitar'', explica Cristina.
Também é considerado maus-tratos os casos em que o animal não recebe cuidados veterinários quando doente, nem vacinas, vermífugos e remédios para controle de parasitas. Cristina destaca que em Londrina o maior número de ocorrências é relacionada a atropelamento, desnutrição e problemas de pele causados por pulgas e carrapatos.
Há ainda maus-tratos ocorridos nas lojas que vendem animais. ''Os filhotes ficam em gaiolas dia e noite, inclusive já foi resgatado um animal com deformações nas patas por causa disso. Há também a exposição prologada ao sol, além da venda de filhotes de procedência duvidosa'', conta Cristina.
Ela recomenda a adoção mas quem faz questão de comprar um animal por determinhadas características da raça deve procurar o Kennel Club e se informar sobre os criadores. ''Não se pode generalizar, mas existem muitas lojas inadequadas'', destaca.
Omissão
A advogada Nilza Aparecida Sacoman Baumann de Lima também é voluntária da ONG SOS Vida Animal e destaca que há um problema de omissão generalizada na questão dos maus-tratos. ''O procedimento correto quando se presencia uma situação de violência contra o animal é procurar a Polícia Militar, através do 190, ou a SOS Vida Animal. Deve ser feito um Boletim de Ocorrência e também a orientação do proprietário. Caso a situação não seja resolvida, o animal deve ser recolhido. Se há negativa da polícia em tomar providências deve-se procurar a Promotoria do Meio Ambiente, pois isso é prevaricação, ou seja, omissão de suas responsabilidades'', explica.
O problema enfrentado por muitas pessoas que tentam fazer denúncias é o empurra-empurra entre os diversos órgãos. Nilza diz que em geral tem orientado as pessoas a ligarem diretamente para o SOS, já que muitos casos não são de maus-tratos.
''Os voluntários irão averiguar e se necessário entrar em contato com a Polícia Militar. Dependendo do caso será feita uma representação criminal contra o proprietário e entramos com uma ação indenizatória, para que ele arque com os custos do tratamento.'' De acordo com ela, no ano passado foram recebidas 1,5 mil denúncias de maus-tratos e 700 animais foram recolhidos de seus donos pelo mesmo motivo.
''O SOS se dispôs a capacitar policiais para que possam atuar. Entendemos que a situação é complicada, já que eles não têm um lugar para encaminhar os animais recolhidos. Isso é responsabilidade do município, que está sendo irresponsável e omisso em relação à isso'', critica.
Lojas e cavalos
Outro caso grave e recorrente de maus-tratos em Londrina envolve os cavalos usados para puxar carroças. ''Em geral são cavalos que trabalham muito, em horários de sol muito quente, com peso excessivo e com equipamentos de trabalho inadequados ou inexistentes. Muitos são desnutridos e têm problemas de insolação'', alerta.
Nilza concorda que a situação envolvendo carroceiros é delicada, pois expõe as misérias humana e animal. ''Vamos conversar com a Universidade Estadual de Londrina e com os carroceiros para juntos acharmos uma solução. De toda maneira, o ponto mais grave é o descaso com os animais domésticos.
Serviço: Denúncias de maus-tratos à SOS Vida Animal podem ser feitos pelo telefone (43) 3322-3634.


