A quatro dias do fim do prazo de adequação das calçadas do quadrilátero central de Londrina para a melhoria da acessibilidade, a reportagem da FOLHA percorreu as principais ruas compreendidas entre as faces oeste e sul da JK, Uruguai, Fernando de Noronha e Leste-Oeste. A constatação é de que na maioria dos locais públicos ainda não foram feitas reformas para atender as exigências previstas na lei municipal 11.381, como a instalação de piso tátil.
O descaso é visto facilmente em frente à Biblioteca Municipal, localizada na Avenida Rio de Janeiro; o Museu Histórico; o Pronto Atendimento Infantil (PAI); o Pronto Atendimento Municipal (PAM) e o Centro de Especialidades Odontológicas (CEO), localizados na Rua Benjamin Constant. Nessas unidades de saúde o fluxo de pessoas é constante. A calçada em frente ao prédio do Sistemas de Assistência à Saúde (SAS), na Rua Souza Naves, também não foi readequado.
O problema continua na Avenida Juscelino Kubitschek, onde estão localizados o prédio da Companhia Municipal de Trânsito e Urbanização e o Cemitério São Pedro; em também na Rua Hugo Cabral, onde fica a Agência do Trabalhador (Sine). Em frente à CMTU, algumas marcações até chegaram a ser feitas para delimitar a colocação da faixa de piso tátil. No entanto, até agora nada foi iniciado. Em frente ao cemitério, são os buracos e desníveis que atrapalham quem passa pelo local.
As escolas também não fogem à regra e ainda estão com as calçadas sem reforma. São os casos do Colégio Estadual Evaristo da Veiga e da Escola Municipal Arthur Thomas, localizados na Rua Goiás, dos colégios estaduais Hugo Simas, na Rua Pio XII, e do Aplicação, na Rua Piauí.
Em nenhum desses locais há a faixa de piso tátil, que melhoraria a acessibilidade de pessoas com deficiência visual. Em muitos casos, como em frente ao Museu Histórico, ao redor do prédio do SAS, no entorno do Instituto Estadual de Educação de Londrina (IEEL) e do Evaristo da Veiga, as raízes de árvores antigas romperam o calçamento, criando obtáculos praticamente impossíveis de serem ultrapassadas por cadeirantes.
Indignada com a falta de comprometimento dos próprios órgãos públicos em providenciar as adequações necessárias, Miriam Sato, moradora da área central, afirma que já começou a fazer a sua parte. ''O pedreiro deve terminar a colocação da faixa e fazer todas adequações nos próximos dias. Acabei atrasando, porque pensei que o prazo era até 30 de dezembro'', explica. ''Mas bate um desânimo quando a gente percebe que está procurando fazer tudo certinho e a prefeitura nem começou a fazer as mudanças.''
O casal Carlos Eduardo e Rose Lima não esconde a preocupação com as péssimas condições das calçadas. ''É buraco para tudo quanto é lado, pavimento se soltando, desnível e falta de rampa. Tudo isso atrapalha muito a população e principalmente as pessoas que têm algum tipo de deficiência, como é o caso do meu sogro que é cadeirante. Ele reclama bastante quando tem que sair e passar pelo centro justamente pela falta de acessibilidade'', destaca Carlos Eduardo.
Devido ao feriado, a reportagem não conseguiu falar com responsáveis pelos orgãos públicos visitados para saber quando as calçadas serão adequadas.

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