O advogado londrinense Marcelo Leal embarcou ontem à noite para a cidade de Tacuru (MS), onde irá defender o agropecuarista Maurício Cardoso, 29 anos, acusado de ter matado o irmão, Roberto Benes Cardoso, 25 anos, na fazenda Nevada, de propriedade da família, localizada naquela cidade.
O advogado disse ontem à Folha que falou com Maurício e constatou que ele apresentava ferimentos nas costas, mãos e rosto. ‘‘Houve luta corporal entre os dois irmãos e, por infelicidade, um deles veio a falecer’’, afirmou Marcelo Leal, contratado pela própria família Cardoso. Ele adiantou que estava levando uma documentação para provar que Roberto, em 1995, já havia tentado matar Maurício por causa de uma dívida de gado.
Ontem à tarde, o acusado fez exame de lesões corporais no Instituto Médico Legal (IML) de Londrina. A revelação foi feita pelo advogado. Horas antes da confirmação, dois funcionários do IML afirmaram que Maurício não havia feito os exames. ‘‘Apesar da tragédia envolvendo irmãos, devemos ressaltar que meu cliente (Maurício) tentou apenas se defender. Pelo que ele me contou não houve tiros nem facadas. Os dois somente entraram em luta corporal’’, afirmou Marcelo Leal. Na próxima semana, ele prometeu apresentar seu cliente ao delegado Napoleão Rodrigues Junior, que preside o inquérito policial na delegacia da cidade de Iguatemi (MS), sede da comarca onde o crime ocorreu.
A última vez que os irmãos foram vistos juntos foi em uma boate na cidade de Sete Quedas (MS), a cerca de 70 quilômetros da fazenda. Eles teriam discutido e Maurício voltou para casa sozinho. O médico Amadeu Hugo Alessi, do Hospital e Maternidade Sete Quedas, que prestou os primeiros socorros ao Roberto, entregou ontem o relatório solicitado pelo delegado Napoleão.
Sem revelar maiores detalhes sobre o relatório, o médico disse que Cardoso chegou ao hospital em estado de semiconsciência. ‘‘Não estava preocupado com o que ele dizia. Como médico, minha preocupação era fazer tudo o que fosse necessário para mantê-lo vivo’’, diz Alessi.

mockup