A viagem para o Japão da dona-de-casa Márcia Nonaka, 25 anos, teve um início pouco animador. Após 180 quilômetros de van desde Paranavaí (Noroeste), ela não conseguiu embarcar no Aeroporto de Londrina, que ficou fechado devido ao mau tempo na maior parte dos últimos dias. Até a tarde de ontem, Márcia, que estava na companhia de três adultos e duas crianças, não sabia se poderia viajar a tempo de alcançar a conexão em Curitiba, de onde partiria para São Paulo e Tóquio.
O fechamento para pousos e decolagens é uma constante no aeroporto local. Uma das principais causas é a falta do equipamento Instrument Landing System (ILS), utilizado para viabilizar aterrisagens em condições climáticas adversas. A exemplo de Márcia, dezenas de passageiros ficaram ''presos'' em Londrina. O professor de sociologia Ronaldo Baltar, 40, poderia perder uma palestra, que proferiria na tarde de hoje em Washington, nos Estados Unidos. ''É difícil explicar lá fora que não cheguei a tempo porque venho de uma universidade de uma cidade onde o aeroporto fecha quando chove'', criticou.
O engenheiro José Antonio Muniz Lopes, 58, e a dentista Maria Avelina Pinto Costa, 45, tentavam embarcar para São Paulo, após participarem de um batizado em Apucarana. ''Já perdi um dia de trabalho. Dependendo, vou perder amanhã (hoje) também'', queixou-se Lopes. Já Maria Avelina parecia mais conformada com a situação. ''A gente tem de entender que a culpa é do mau tempo'', resignou-se.
Com as condições climáticas adversas, o aeroporto alternou longos períodos de fechamento com aberturas esparsas para operação por instrumentos. Até o encerramento da edição, oito movimentos (pousos e decolagens) haviam sido cancelados. O coordenador de navegação aérea, Carlos Alberto Souza e Silva, explicou que o nevoeiro baixo diminui a visibilidade e impossibilitou as operações no aeroporto. Entre a noite de anteontem e a de ontem, o aeroporto fechou durante 15 horas e 36 minutos, operou por instrumentos por pelo menos 3h30 e visualmente somente durante 1h26.
O diretor de Operações da Empresa Brasileira de Infra-Estrutura Aeroportuária (Infraero), brigadeiro Frederico de Queiroz Veiga, e o prefeito Nedson Micheleti (PT) devem se reunir até o início de junho para definir a doação de áreas na região do aeroporto, necessárias para ampliação pista e instalação do ILS. ''O equipamento já está com a verba liberada. Só falta legalizar as áreas e definir se são necessárias mais desapropriações para iniciar a licitação internacional para compra do aparelho'', revelou Silva.
A chuva dos últimos dias na cidade já ultrapassou a média do mês de maio. Segundo o Sistema Meteorológico do Paraná (Simepar), já choveu 159 milímetros até agora, contra uma média de 126 milímetros. O tempo só deverá voltar a ficar estável a partir de quinta-feira, quando uma massa de ar frio deverá provocar uma queda ainda maior na temperatura. ''No Norte do Estado a temperatura deve ter um declínio de quatro a cinco graus centígrados. A mínima deve ficar abaixo dos 10ºC'', disse o meteorologista Fernando Mendonça Mendes. (Colaborou Chiara Papali)

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