As chuvas dos últimos dias está atrapalhando a festa do público e causando prejuízos aos expositores da 39ª Exposição Agropecuária e Industrial de Londrina. Nos últimos três dias, a média de público caiu drasticamente e nem shows como os das duplas sertanejas Chitãozinho e Xororó, na terça-feira, e Rio Negro e Solimões, anteontem, conseguiram atrair as multidões esperadas. Na quinta-feira à noite, além da chuva, o vento forte também causou problemas, derrubando várias barracas.
A chuva e os prejuízos eram os assuntos nas rodas de conversas no Parque Ney Braga, ontem pela manhã. A maioria dos barraqueiros estava descontente com os resultados obtidos. ‘‘A chuva acabou com a festa. Com três dias de chuva, já tivemos um prejuízo de 40%’’, disse Mauro Brito, do Rio de Janeiro, que tem barracas de bichos de pelúcia no parque de diversões.
Segundo Brito, os pequenos expositores vão ‘‘sair no lucro se recuperarem o investimento feito’’. ‘‘É uma festa cara, a gente investe muito. E a chuva acaba com tudo’’, lamentou. Para ele, uma alternativa para recuperar o investimento seria prolongar o período da feira. ‘‘A maioria dos barraqueiros gostaria disso’’.
Paulo WolfgangSugestãoBraz Ferreira: ‘‘A Sociedade Rural podia mudar a época da feira porque sempre chove neste período. Talvez fosse uma boa fazê-la em junho’’No estande da Selaria Goiana, de Barretos (SP), a manhã de ontem foi reservada para contabilizar prejuízos. O estande, montado em um contêiner de caminhão e revestido de madeira, não ficou imune às goteiras e à chuva com vento. Parte das mercadorias estocadas em caixas foi molhada. ‘‘Não chegamos a ter produtos estragados, mas vários tiveram suas caixas encharcadas, o que prejudica a apresentação’’, disse Braz Ferreira Diniz Júnior. Segundo ele, a empresa pretendia vender cerca de R$ 20 mil. ‘‘Não vamos vender nem R$ 10 mil’’.
Para Diniz, a diretoria da Sociedade Rural do Paraná (SPR), promotora do evento, poderia pensar em mudar a data da exposição. ‘‘Na maioria dos anos em que participamos da feira em Londrina, geralmente chove neste período. Talvez fosse uma boa idéia tentar fazê-la em outro mês, como junho, por exemplo, que não tem nenhum evento semelhante’’, sugeriu. Ele mesmo, porém, reconhece que isso quebraria a tradição do evento.
Embora não tenha enfrentado prejuízos diretos, o expositor de Vitória da Conquista, na Bahia, também reclama. ‘‘A chuva afasta o público. Se antes o movimento já estava regular, agora está zero’’, lamentou.
Para o diretor financeiro da SRP, Walter Falcão, a possibilidade de prorrogar a feira está descartada. ‘‘Fica muito caro para manter o padrão de limpeza e segurança, entre outras coisas, que a feira exige diariamente. A diretoria preparou tudo para funcionar por um período determinado de dias e não teria, agora, como estendê-lo’’, afirmou.
Apesar das chuvas, Falcão acredita que a SRP está fazendo uma grande exposição. ‘‘Para nossa surpresa, ontem (quinta-feira), tivemos um público de 20 mil pessoas circulando por aqui, mesmo com toda a chuva que caiu. O show foi um sucesso, com o povo cantando e dançando, se divertindo no barro do Recinto de Shows Rodeios’’, afirma. Já quanto a possibilidade de mudar a data da exposição, o diretor diz que a diretoria está aberta a sugestões.

mockup