Mau cheiro enlouquece moradores
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terça-feira, 23 de dezembro de 1997
Cristine Pieske 
Curitiba
Kraw PenasRestos de carne vão parar em lagoas de decantação a céu abertoTem sido difícil para qualquer morador das proximidades do Frigorífico Maracaíbo, em Santa Felicidade, dormir, comer ou deixar as janelas de casa abertas por causa do mau cheiro que circunda o matadouro. Há meses, os moradores reclamam da falta de cuidado com o despejo dos restos de carne e sangue que vão parar em caixas de decantação mantidas a céu aberto, e dizem que nenhuma providência foi tomada por parte da empresa. Apesar do cheiro de putrefação ser constante, até mesmo durante a noite, o calor dos últimos dias tem feito aumentar o sofrimento dos vizinhos. A gente passa o dia tampando o nariz e matando moscas, diz a dona de casa Maria Antônia Baião, que mora em um condomínio de alto padrão próximo ao Maracaíbo.
Kraw PenasMaria Antônia: A gente passa o dia tampando o nariz e matando moscasA queixa, ainda não registrada formalmente pelo Serviço de Inspeção Federal (SIF), do Ministério da Agricultura, nem pelo Instituto Ambiental do Paraná (IAP), já gerou dois abaixo-assinados endereçados à prefeitura municipal que permanecem sem resposta. Casas próximas ao frigorífico já foram abandonadas pelos moradores e não encontraram ninguém que se dispusesse a alugá-las. O bairro é otimo, mas a presença do matadouro acaba com a vontade de viver aqui, revolta-se a moradora Leda Leandro Rocha, que afirma sentir enjôos durante todo o dia. Às vezes passo o dia todo sem consiguir comer, diz.
A situação vivida pelos vizinhos é tão grave que alguns já inventaram maneiras de tentar fugir do mau cheiro. A dona de casa Teresinha Budel, que mora a mais de duas quadras de distância do frigorífico, precisa colocar chumaços de papel higiênico molhado nas frestas das portas e janelas para tentar barrar o problema. Mesmo assim, o incômodo é grande. Quando chove o cheiro se espalha ainda mais e daí mal conseguimos dormir, reclama.
Segundo o diretor do IAP, Mário Sérgio Rasera, o problema pode estar sendo gerado pela localização incorreta do frigorífico, que está situado no centro de uma área residencial. O diretor da empresa, Odair Zonatto, nega a existência do mau cheiro e diz que nunca foi comunicado das queixas dos moradores. Segundo ele, a construção das lagoas de decantação foram autorizadas pelo IAP. Por dia, o Maracaíbo chega a abater cerca de 350 suínos, que são transformados em embutidos e comercializados em supermercados do Paraná, São Paulo e Rio de Janeiro.


