Mau cheiro de fábrica irrita vizinhos
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segunda-feira, 26 de outubro de 1998
Luciane Tonon 
Moradores de áreas próximas à rodoviária de Jataizinho (21 km a leste de Londrina) e usuários do local querem soluções urgentes para mau cheiro exalado pela fábrica OxBrazil, instalada há seis meses às margens da BR-369. A indústria fica em um terreno nos fundos do terminal rodoviário e trabalha com subprodutos de boi, entre eles chifre, bílis e crina.
Na semana passada, os moradores encaminharam um documento cobrando medidas urgentes para a prefeitura, que já emitiu alvará de licença para a empresa. Nós fizemos este abaixo-assinado porque é inadmissível que a prefeitura conceda licença a uma empresa que está prejudicando tanto a comunidade, afirmou o aposentado Waldomiro Silani, 55 anos. Segudo ele, que mora ao lado da rodoviária, os passageiros que chegam já descem do ônibus tapando o nariz. Isso fica mal para a cidade, reforçou Silani. Conforme o aposentado, há um mês o cheiro diminuiu um pouco. Pelo menos não estão mais soltando a descarga o dia todo.
A dona de casa Sebastiana Cano, 63 anos, reclamou que o mau cheiro tem prejudicado a saúde. O cheiro provoca vômito e dor de cabeça, principalmente nos horários das refeições, disse. Os moradores explicaram que não pedem o fechamento da empresa. Mas que tomem providências para controlar o odor.
O empresário Gilnei Araújo, 45 anos, um dos proprietários da OxBrazil, informou que já estão sendo tomadas providências para eliminar o problema. Já conseguimos reduzir o odor em 90% e pretendemos chegar a 100%, disse. Segundo ele, a empresa encaminhou ao Instituto Ambiental do Paraná (IAP) um projeto de captação (coifa) para purificação do vapor exalado.
Ele diz que a bílis do boi, utilizada na composição de remédios, é que exala mais cheiro. Cerca de 10 tambores de 200 litros de bílis concentrada são produzidos por mês. Há um mês paramos com este produto, justamente para a implantação da coifa de purificação, explicou.
A empresa produz ainda uma média de 250 canecas para brindes e lembranças de chifre de boi por dia, e prepara crinas para confecção de pincéis. A empresa gera 20 empregos. Sabemos o quanto o cheiro é desagradável e pedimos paciência aos moradores, acrescentou o empresário. Ele prevê um prazo de 60 dias para a implantação da coifa.
O chefe do departamento que emite alvarás de licença da prefeitura, José Roberto Pavão, informou que a licença foi liberada há um mês para a empresa. Segundo ele, após a reivindicação dos moradores, através do abaixo-assinado, a empresa está controlando as descargas.
De acordo com o IAP, a empresa ainda não tem a licença definitiva. O técnico do instituto em Cornélio Procópio, José Mariano de Macedo, disse que a indústria já cumpriu 80% do que foi pedido, implantando um captador para sugar o vapor. Falta instalar a bomba que faz resfriamento para que o vapor não seja lançado na atmosfera, esclareceu. Ele informou que o barracão onde estão as máquinas de fermentação da bílis também foi vedado para diminuir o mau cheiro.


