Mau cheiro causado por esgoto tratado incomoda bairro
Érika Pelegrino
O mau cheiro e a poluição no Córrego Bom Retiro, na Vila Marízia (zona norte de Londrina), têm incomodado os moradores do bairro. Eles reclamam que a Estação de Tratamento de Esgoto (ETE) da Sanepar despeja espuma no córrego. A água aqui é sempre assim, com esta espuma, afirma Hamilton Souza da Silva, que mora há 20 anos no bairro.
A dona de casa Laura dos Santos Fiori, que mora na Vila Marízia há um ano e três meses, diz que o mau cheiro que vem da Sanepar é constante. Tem dia que é insuportável, afirma. Ela diz ainda que tem muitas crianças que brincam no córrego. Segundo Hamilton da Silva, as pessoas que moram próximas ao córrego acabam tendo problemas de respiração. As crianças são as que mais sofrem e muitas têm micose, afirma.
Uma das moradoras, que preferiu não se identificar, afirma que muitas crianças e adolescentes atravessam o córrego por uma trilha. Não sei se é por isso, mas muitas destas pessoas têm feridas nas pernas e micose. Mas não dá para garantir que é por causa da água do córrego, pondera.
Nelson Okama, gerente da Unidade de Operação da Sanepar, explica que na estação do Bom Retiro é tratado o esgoto coletado na região central de Londrina e que a espuma no córrego é proveniente de produtos que não são biodegradáveis.
Ele explica ainda que estes produtos não são tratáveis, por isso há espuma no córrego. Nelson Okama afirma que em função disso é recomendado à população que utilize apenas produtos biodegradáveis.
Quanto ao mau cheiro, o gerente de operação afirma que o problema fica insuportável quando há alguma falha operacional na estação. Daí é tomada uma providência imediata, afirma. Mas sempre vai existir um certo mau cheiro porque ali nós não tratamos perfume, mas esgoto.
Segundo Nelson Okama, faz tempo que a Sanepar não recebe reclamações de moradores a respeito de mau cheiro.
A presidente da Autarquia Municipal do Ambiente (AMA), Sandra Graça, afirma que já está sendo feito um trabalho de coleta de material de vários pontos onde a Sanepar despeja água, em conjunto com a Promotoria de Defesa do Meio Ambiente, AMA e Universidade Estadual de Londrina (UEL).
O objetivo é verificar o tipo de material que está sendo despejado nos córregos para solicitar à Sanepar o tratamento adequado, disse Sandra Graça. Caso seja comprovada a contaminação de cursos d água, segundo ela, será solicitada a interrupção imediata do despejo do material e a Sanepar será autuada e até multada.





