Mau cheiro ainda é problema
Érika Pelegrino
De Londrina
Um mês após as reclamações de moradores do conjunto Eucaliptos (zona leste) sobre o mau cheiro emitido pela Estação de Tratamento de Esgoto da Sanepar e a provável emissão de veneno da indústria Milênia Agro Ciência, ambas situadas naquela região, o problema ainda persiste.
O promotor interino de Defesa do Meio Ambiente, Sérgio de Siqueira, afirma que pediu na época ao Instituto Ambiental do Paraná (IAP) para fazer exames técnicos tanto na Sanepar quanto na Milênia.
O chefe regional do instituto, Antônio Carlos Cobo Pires, disse à Folha que não tinha conhecimento do pedido destes exames.
Depois de receber a informação de que o promotor aguardava pelos resultados, Cobo afirmou que iria verificar com o engenheiro responsável para se informar sobre o assunto.
Questionado novamente pela Folha, Siqueira disse que é possível que o pedido dos exames tenha sido enviado para outro lugar.
Tenho feito pedidos para o IAP, o Instittuo de Criminalística, a UEL, Ibama. De cabeça não me lembro no caso do Eucaliptos para onde os pedidos foram encaminhados.
Há um mês o promotor afirmou em entrevista à Folha que os exames seriam solicitados ao IAP. Resta agora descobrir para onde foram encaminhados os pedidos para que sejam cobrados os resultados.
Siqueira já adiantou que no caso da Sanepar os problemas estão na emissão de gás metano e sulfídrico (H2S).
Segundo ele, o processo que produz o gás metano está sendo realizado parte em ambiente fechado e parte em ambiente aberto, quando deveria ser feito inteiramente em ambiente fechado.
O gerente de produção da Sanepar, Nelson Okano, afirma que quando o esgoto é captado são separadas as partes líquidas e as partes sólidas, que recebem tratamentos diferentes.
A parte sólida passa por um biogestor que produz um biogás, formado de 60% a 70% por gás metano, segundo explicação de Okano. Este biogás sai de um ambiente fechado biogestor e vai para o ar livre, onde na sequência, de acordo com Okano, é queimado.
O tratamento da parte líquida é que produz o gás sulfídrico, responsável pelo mau cheiro, e é feito totalmente ao ar livre.
Siqueira afirma que para diminuir a exalação deste gás são necessárias três medidas: criação de um cinturão verde (que leva de um a dois anos), redução da acidez nos tanques de tratamento o que implica em aumento da área do tanque e de susbtância química básica e um sistema de filtro.
Okano afirma que há duas semanas está sendo feita a recirculação de lodo com mais frequência e em 20 dias começará uma experiência para diminuir a acidez dos tanques de tratamento e, consequentemente, reduzir a exalação de gás sulfídrico.
Esta experiência consiste apenas numa maior aplicação de susbtância química e não na ampliação da área dos tanques.
Quanto ao sistema de filtro, Okano afirma que tecnicamente pode não ser inviável, mas economicamente é. No caso da Milênia não é possível afirmar nada, de acordo com o promotor, enquanto os exames solicitados não estiverem prontos.





