Matriarca dos Garcia Cid faz 80 anos
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quinta-feira, 02 de outubro de 1997
Célia Baroni Londrina 
Josoé de CarvalhoAniversarianteA pecuarista Francisca Campi¤a Garcia Cid, 80 anos completados dia 1º: Nunca imaginávamos que Londrina se tornaria a cidade de hoje Plenamente feliz e realizada. É assim que a pecuarista Francisca Campi¤a Garcia Cid, pioneira de Londrina, resume seus 80 anos de vida completados na quarta-feira, dia em 1º. Matriarca é um termo duro para a figura aparentemente frágil e tímida de Dona Francisca. Mas não é demais para definir uma mulher que continua sendo o centro de uma família já na terceira geração. Sua maior felicidade? Viver na Londrina de hoje perto de todos a quem amo, responde. E são muitos: quatro filhos, 18 netos e quatro bisnetos.
O aniversário de Francisca Garcia Cid foi comemorado na quarta-feira, mas a pioneira será homenageada amanhã por mais de 400 pessoas - amigos e parentes - numa festa só para ela.
Quieta e econômica nas palavras, Francisca é uma mulher de ações. Ainda hoje participa ativamente das decisões que envolvem a administração das fazendas da família. A criação de bois, diz a matriarca, era a paixão do marido, Celso Garcia Cid, pioneiro responsável pela aprimoramento e organização da criação de gado nelore na região. Foi ele também que estabeleceu as primeiras linhas de transporte de passageiros entre as cidades da região, criando a Viação Garcia, uma das maiores empresas de transporte rodoviário do País.
Ela trata com carinho especial essa parte dos empreendimentos da família. Primeiro foram os filhos que administraram as fazendas, agora é a vez dos netos. Embora ela diga que aparece apenas para receber prêmios e homenagens, as netas Ana Francisca Garcia Cid Carter e Cristiane Garcia Cid Matos desmentem a humildade da avó. Ela é assim, quieta e tímida, mas tem uma mentalidade aberta e avançada e sempre participa de tudo que se refere às questões da família, comenta Cristiane.
Saudades da Londrina de antigamente? Ela tem, principalmente da vida tranquila e quieta, apesar de difícil nos primeiros tempos. Francisca Campi¤a chegou a Londrina em 1932, quando tinha pouco mais de 15 anos de idade, vinda de São Manoel, interior de São Paulo. Seu pai era barbeiro e atendia funcionários da construtora da estrada de ferro. Com o final da obra sua família se transferiu para Londrina. Aqui era só barro e mato. Quando cheguei, a Cidade era formada por alguns ranchos de palmito. Demoramos quatro horas só para percorrer o trecho entre Jataizinho e Londrina, recorda a pioneira.
Descendente de espanhóis, ela conta que teve uma juventude limitada à sua casa e a poucos amigos. Naquela época os pais mantinham os filhos mais presos. E eu nunca fui festeira, comenta. Celso Garcia Cid fazia transporte de caminhão, frequentava a barbearia do pai de Francisca e fazia as refeições em uma pensão perto de sua casa. Os dois se conheciam apenas de vista, mas Garcia Cid já tinha decidido que iria se casar com ela. Francisca Garcia Cid conta que, uma tarde, ele passou em frente a sua casa quando ela pendurava as roupas no varal e comentou com um amigo comum as suas intenções.
Quando Francisca fez 18 anos - e com o necessário consentimento de seu pai -, começou o namoro. Cerca de seis meses depois eles se casaram - era o ano de 1936. Naquela época, conta, Celso Garcia Cid tinha 27 anos, deixou de fazer transporte de caminhão e comprou seu primeiro ônibus, atendendo à demanda de passageiros que iam para Rolândia, Cambé e Jataizinho. Londrina começava a crescer. Francisca comenta, orgulhosa: Nós nunca imaginávamos que se tornaria a cidade de hoje.


