Mato toma conta do Jardim Damasco na Zona Leste
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quinta-feira, 10 de janeiro de 2008
Wilhan Santin<br> Reportagem Local 
Primeiro morador do bairro, o aposentado Ordelino Ribeiro dos Santos viu o Jardim Damasco (Zona Leste) crescer desde que chegou por ali há 40 anos. Presidente da associação de moradores por várias gestões, eleito algumas vezes por aclamação, ele carrega no currículo o orgulho de ter ajudado a afastar da região os depósitos de combustíveis, no começo da década de 1990. ''O risco de uma explosão por aqui era enorme'', recorda.
No entanto, ele agora enfrenta dificuldades para vencer uma outra batalha: o mato tomou conta das calçadas do bairro. Com isso, os pedestres precisam utilizar a rua para o seu deslocamento. O risco de atropelamento é iminente.
O ponto mais crítico está justamente na rua principal do bairro, a Santa Terezinha, no ponto onde a linha férrea passava sobre o asfalto. Com o interrompimento do tráfego de trens, que circularam por ali durante décadas, o mato tomou conta, invandiu a calçada e até um pedaço da rua. Em meio ao matagal, sujeira, bichos e diversos recepientes com água parada. Tudo isso em tempo de atenção total para evitar uma epidemia de dengue, a poucos metros da Secretaria de Saúde, e ao lado do terreno onde será construído o Teatro Municipal e um condomínio empresarial.
''Já fiz de tudo. Fui na Secretaria de Obras, na Companhia Municipal de Trânsito e Urbanização (Cmtu), mas nada foi feito. Estou vendo a hora que vai acontecer uma tragédia por aqui'', reclamou o presidente da associação de moradores.
Morando próximo ao matagal, Eliana Aparecida Rosa passa todos os dias pela rua Santa Terezinha, que é caminho para o seu serviço. Nos trechos em que é preciso invadir o asfalto, por conta do mato onde está a calçada, ela redobra a atenção, principalmente quando leva consigo o pequeno Wilian, 6 anos.
''Tenho muito medo de algum acidente. Além disso, por conta do mato, as casas da vizinhança estão sendo invadidas por baratas, ratos e pernilongos'', relatou.
De acordo com o diretor de operações da Cmtu, Fábio Reali, a limpeza das calçadas devem ser feitas pelos proprietários dos terrenos às quais elas pertencem. Caso não aconteça a limpeza, a multa é de R$ 0,20 por metro quadrado. Ele informou que, no caso das calçadas da rua Santa Terezinha, o grupo Marco Zero, dono do terreno da antiga Coinbra, já foi notificado e se comprometeu a realizar a limpeza em 10 dias.
No caso do local onde passava a linha férrea, Reali informou que vai verificar se o terreno ainda pertence à empresa América Latina Logística (ALL) - que opera o transporte ferroviário na cidade - ou se já houve a reversão para o município após a retirada dos trilhos. ''Já fizemos uma notificação para que a ALL limpe todas as suas áreas. Se aquele local pertencer ao município, nós faremos a roçagem em 15 dias'', prometeu.


