Mato toma conta de prédios públicos
PUBLICAÇÃO
terça-feira, 14 de janeiro de 1997
Marcos Zanatta Sucursal de Maringá 
Edson GuittiCentro de Atendimento ao Deficiente Visual, o prédio mais prejudicado pelo matagal
Moradores do Jardim Grevíleas, em Maringá, estão revoltados com o descaso da prefeitura com os prédios públicos do bairro. O Caic, onde funciona uma escola de 1º grau, uma creche e o Centro Municipal de Atendimento ao Deficiente Visual, está tomado pelo mato. Os moradores calculam que nos últimos seis meses não foi feita nenhuma roçada no bairro.
O presidente da Associação de Moradores do Grevíleas, Geraldo Martins, diz que todo verão é o mesmo problema. A maior preocupação, segundo ele, é com a escola de cegos, onde o mato chega a tomar conta de boa parte da calçada e do acesso ao prédio. Como os deficientes não circulam por todo pátio da escola, o mato cresce mais durante todo o ano, explica.
Martins reclama também que a Secretaria de Meio Ambiente sempre alega falta de pessoal e de equipamento. Já que o problema é o mesmo todo ano, porque não se faz investimentos para resolver?, questiona. A zeladora Magali Esposti conta que já foram encontradas várias cobras no pátio. Agora com o mato entrando dentro do prédio a situação está ainda pior, comenta. Ela diz que desde o início das férias, no final de dezembro, ninguém mais foi até a horta com receio de ser picado por uma cobra no caminho tomado pelo mato.
O desempregado Reinaldo Carraro, que mora no Grevíleas há mais de 15 anos, disse que o bairro nunca ficou tão abandonado como nos últimos meses. O mato de alguns terrenos está invadindo até as ruas e as escolas. Ele concorda que o maior perigo é o matagal que toma conta do Centro de Apoio ao Deficiente Visual. Os cegos fazem caminhadas em volta da escola, onde a calçada está tomada pelo mato e onde já matamos pelo menos cinco cobras nos últimos dias.
O secretário de Meio Ambiente Hamilton Cardoso disse ontem que desde o início do mês já quadruplicou o número de funcionários no serviço de capina. Estamos trabalhando inclusive nos finais de semana, mas existem bairros onde o problema é maior e vamos atender conforme a prioridade, avisa.
Cardoso disse que esteve domingo no Grevíleas para ver a situação do bairro. Até o próximo final de semana a equipe deve chegar na região. No máximo em fevereiro estaremos com todo serviço de roçada em dia, prometeu.


