Mudam-se endereços e protagonistas, mas a história é sempre a mesma: terrenos baldios, tomados pelo mato e lixo, incomodam cidadãos-contribuintes que recorrem ao poder público sem êxito. Desta vez, as intérpretes da 'novela' são Cristiane Maria Sagioratto e Terezinha de Melo. Ambas são vizinhas de dois terrenos contíguos, localizados na esquina das ruas Silvio Bussadori e Vitório Sisti, no Jardim Tókio, na Zona Oeste de Londrina.
Segundo as moradoras, a área em questão está abandonada há quase um ano. ''Uma vez por ano, o padre da paróquia encomenda a limpeza para usar o terreno como estacionamento. A última vez que isso aconteceu foi em junho do ano passado'', afirma Cristiane. O que piora a situação é a falta de consciência ambiental da população. Aproveitando-se do desleixo do proprietário e da omissão dos fiscais, pessoas usam o local para despejar entulho de construção, lixo orgânico, galhos de árvores, móveis velhos e até bichos mortos.
''De vez em quando vejo baratas e ratos passeando pela minha calçada. Para mantê-los longe do meu estabelecimento, redobro o cuidado'', afirma Terezinha, que administra um bar ao lado dos terrenos. ''É difícil encontrar os responsáveis pela sujeira porque eles jogam o lixo quando não há testemunhas por perto. Outro dia, chamei a atenção de um carroceiro que perguntou se, por acaso, eu era fiscal e pretendia anotar a placa do veículo dele. Depois disso, ele passou algumas vezes por aqui, repetindo a mesma pergunta. Tenho até medo'', completou Terezinha.
Na opinião de Cristiane, outro prejuízo para a comunidade é a insegurança causada pelos terrenos com mato alto. Todas as noites, ela é obrigada a contornar o lote para chegar ao portão de casa após a aula. ''Meu ônibus chega entre 23 e 23h30, na rua de cima. Venho rápido para evitar maus encontros'', disse a universitária que, há mais de um mês, reclamou à CMTU.
A partir de dezembro de 2006, a CMTU deixou de limpar os terrenos baldios particulares. A companhia restringe-se à aplicação de multa - ainda R$ 0,20/metro quadrado - e notifica o proprietário, que tem 15 dias para roçar o local. De acordo com Fábio Reali, diretor de Operações da CMTU, Londrina possui 26 mil terrenos baldios particulares. A maioria pertence a moradores da cidade. Quando o proprietário vive em outro município as multas são acrescidas ao valor do IPTU e ele é comunicado via Correio. ''No entanto, quando a Vigilância Sanitária atesta que a condição de determinado terreno ameaça a saúde pública, nós limpamos'', garantiu.
Serviço - Reclamações e mais informações sobre o assunto podem ser obtidas na diretoria de operações da CMTU pelo telefone: (43) 3379-7956.

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