Mato cresce e preocupa moradores
PUBLICAÇÃO
sábado, 26 de fevereiro de 2005
Karla Matida<br>Reportagem Local 
''Aguarde mais um tempo'' é uma das frases que a secretária Gisele Von Stein se acostumou a ouvir nos últimos meses. Não é uma gravação, mas a repetição da frase acaba deixando a secretária tão nervosa quanto o assunto que a faz ligar constantemente para a Companhia Municipal de Trânsito e Urbanização (CMTU): o mato que cresce e toma conta do enorme terreno em frente à casa no Jardim Santiago 2 (zona oeste).
Desde que se mudou para lá, há cerca de oito meses, Gisele nunca viu qualquer providência sendo tomada no terreno vizinho. É abrir o portão e dar de cara com um matagal alto. Há o medo, principalmente à noite quando volta do trabalho. ''Para abrir o portão, fico olhando para todos os lados'', explica a secretária, que teme que ladrões possam estar escondidos no terreno. ''Tem gente que sobe naquela aquela árvore para olhar as casas e observar o que cada uma tem dentro, se as casas estão vazias...'', conta.
Mas se o muro de três metros, a cerca elétrica e a câmera de circuito interno têm protegido a casa de Gisele de roubos, seus quatro cães não tem a mesma sorte. São atacados diariamente por carrapatos. A secretária acredita que venham todos do terreno em frente. ''E ainda tem baratas e ratos. Outro dia o vizinho de cima viu uma cobra'', lembra.
Mais antiga na região, a auxiliar de enfermagem Gilda Maria Alves mora há 15 anos na mesma casa, ao lado de Gisele. ''A casa foi assaltada duas vezes e tenho medo de ir para o trabalho, já que tenho que sair às 5h40 e ainda está escuro'', conta. Gilda faz as contas e lembra que foi há cerca de um ano e meio a última vez que o terreno em frente foi roçado. ''Logo depois que um funcionário da Bratac foi morto por um tiro que veio da favela ali na frente'', conta. ''Veio até a cavalaria'', lembra Gilda. Naquela ocasião, a Polícia Militar esteve presente durante os serviços de roçagem.
Na sexta-feira, na última tentativa de ligar para a CMTU, Gisele conseguiu falar com o diretor de operações João Verçosa, que pediu para que ela aguardasse mais um tempo. A boa notícia para a vizinhança é que parece que o tempo, parece, vai ser curto. De acordo com João Verçosa, em entrevista para a Folha, o terreno em frente à casa de Gilda e Gisele já entrou para a programação de limpeza, que deve acontecer entre amanhã e terça-feira.
As chuvas de janeiro atrasaram a nossa programação em 30 dias. Além disso, serviram como um adubo para o mato. Demos prioridade às regiões com escola, mas não temos equipes suficientes. Ontem (sexta) e hoje (sábado), todos os cerca de 130, 140 homens estavam no União da Vitória (zona sul)'', lembra Verçosa. Na agenda da CMTU da semana que vem, as próximas regiões a serem contempladas com a roçagem são Parigot de Souza (zona norte), Jardim Delta e Ribeirão Quati. É torcer para que não chova.


