Secretaria de Obras de Ibiporã implantou o setorização para realizar a limpeza nas áreas públicas
Secretaria de Obras de Ibiporã implantou o setorização para realizar a limpeza nas áreas públicas | Foto: Anderson Coelho



Ibiporã - Dois meses depois de iniciar um levantamento sobre quantos terrenos estavam com mato alto, a Secretaria de Obras de Ibiporã (Região Metropolitana de Londrina) notificou proprietários de aproximadamente mil terrenos, equivalente a 50% do total de áreas particulares do município. Segundo informações da secretaria, ainda existem outros mil terrenos públicos.

De acordo com o secretário de Obras, Alexandre Ferreira, a maior parte dos terrenos notificados sem roçagem pertence às pessoas que possuem mais de dez lotes. "Não oferecemos condições especiais para eles; vamos seguir notificando e, se não pagarem a multa, ela fica na dívida ativa com o município", ressalta.

Ferreira explica que a responsabilidade pela limpeza e manutenção dos imóveis é do proprietário, conforme estabelece o Código de Posturas do Município. Caso os serviços não sejam executados pelo dono do imóvel no prazo estabelecido, o Município realiza os serviços, contudo, a um valor bem acima do que o realizado por um particular, já que o metro quadrado de poda custa R$1,65 se for executado pela prefeitura – incluídas as taxas de limpeza, remoção e administração. Para se ter uma ideia, a mão de obra praticada para roçagem particular de um terreno de 250 m² é de R$150, o que equivale a R$ 0,60 o m².

Com relação às áreas públicas, o secretário diz que implantou a setorização em quatro grandes áreas e a equipe trabalha em regime de mutirão. "Por esse mutirão realizamos o serviço de capina e roçagem e recolhemos também os entulhos e os resíduos da poda de uma vez só, além de fazer a limpeza das bocas de lobo", afirma. Ele explicou que a divisão em quatro setores possibilita que seja feito o giro por todo o município a cada 45 dias.

A dona de casa Fabíola Sena é moradora da área central, mas informa que a tia reside na Vila Esperança, onde a situação é ruim. "O mato está na altura do peito e o povo joga entulho, sofás velhos e minha tia reclama de ratos, baratas e pernilongos. Já teve gente que pegou dengue", reclama.

O corretor de imóveis João Henrique Sampieri afirma que sempre que algum terreno a ser comercializado ou locado pela imobiliária está com mato alto, comunica os proprietários, faz o orçamento e contrata o serviço de capina. "Têm vários proprietários que nós nem precisamos falar e eles já realizam o serviço, mas existem 30% que resistem. Com a crise, ninguém quer colocar a mão no bolso", destaca.

DISPUTA JUDICIAL
Em Cambé, também na RML, a população tem sofrido as consequências de uma disputa judicial que acontece desde 2015. O secretário de Agricultura e Meio Ambiente, José Roberto Mattos do Amaral, admite que essa pendência paralisou as atividades. "Fizemos tomada de preço emergencial para fazer esse serviço e a empresa ganhadora terá até sexta-feira (24) para dizer se assumirá o serviço ou não", afirma, explicando que não pode realizar mais contratações, porque o município ultrapassou o limite de gastos com funcionários e já recebeu recomendação do Tribunal de Contas do Estado para que reduza esse gasto.

Quem não está contente com a demora é a dona de casa Neusa Aparecida Alonso, que mora no Jardim Morumbi. Segundo ela, no bairro há cerca de 10 terrenos baldios particulares e boa parte está sem essa manutenção. "Aqui é abandonado. O mato alto está espalhado no bairro todo. Aliás, a cidade inteira está assim", reclama. Ela destaca que o bairro ficou bastante inseguro em função desse problema. "Montamos um grupo para se prevenir e a todo momento alguém fala que tem alguém estranho no bairro."

O secretário afirma que a capina da cidade inteira é realizada por 16 pessoas. "Precisaríamos ter entre 40 e 50 pessoas fazendo esse tipo de serviço. Temos feito mutirões, mas não temos dado conta da demanda", admite. Segundo ele, há uma multa de até R$ 1.470,50, acrescida das taxas de limpeza e de descarte do lixo, para quem não limpar os seus terrenos. Segundo ele, na cidade há cerca de sete mil terrenos sem construções e grande parte está com mato alto.

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