Mato alto obriga pedestres a andarem na rua
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terça-feira, 23 de abril de 2013
Vítor Ogawa<br>Reportagem Local 
Para muitas pessoas a rotina de ir da casa para o trabalho é mais arriscada do que para outras. Elas são obrigadas a andar na rua porque o mato alto toma conta do espaço onde deveria haver calçadas. A situação mostra uma falta de respeito com os pedestres, tanto dos proprietários dos terrenos quanto do poder público, que deveria fiscalizar o cumprimento da lei.
O pintor Wanderley Rodrigues do Nascimento, de 50 anos, é um dos trabalhadores que coloca a sua vida em risco todos os dia. Ele desce do ônibus da linha 428 no final da Avenida Saul Elkind (zona norte de Londrina), onde a via passa de duas pistas para simples, mas com fluxo de veículos nos dois sentidos. Nascimento precisa percorrer a pé um trecho com pouco mais de 500 metros, entre o ponto de ônibus e o seu destino, uma chácara onde trabalha diariamente. O início da caminhada é tranquilo, mas logo veículos de passeio começam a passar em alta velocidade ao seu lado.
Assim, Nascimento vai encostando cada vez mais na "parede verde" que se forma com o mato alto. O problema é que, além dos veículos de passeio, a rota é utilizada por muitos caminhões. Quando dois veículos pesados ocupam a pista inteira, não há outra saída senão se jogar no mato para evitar o atropelamento. Mato cortante, poeira e barro formam uma combinação que pode estragar o dia de um trabalhador.
A rotina descrita por Nascimento é compartilhada por muitos. Funcionários de uma empresa de engenharia que trabalham próximo dali também descrevem as dificuldades. "Tenho que andar no meio da rua, mas o problema é que eu não sei de quem é essa propriedade para reclamar", declarou o operador de máquinas Gentil Vedan, de 47 anos.
O local citado pelo trabalhador é um sítio onde é cultivada soja. A reportagem foi ao local, mas não encontrou o proprietário. Segundo informações da Companhia Municipal de Trânsito e Urbanização (CMTU), a responsabilidade pela construção das calçadas é do proprietário do imóvel, independentemente se é rural ou não. De qualquer forma, segundo a assessoria da CMTU, uma equipe irá até o local para verificar o que pode ser feito para reduzir o risco das pessoas que passam por ali. Dependendo do caso, a CMTU pode fazer a roçagem do terreno e enviar a cobrança do serviço ao proprietário.
Problema semelhante é verificado em outro ponto da cidade, na rotatória localizada na interseção da Avenida Francisco Gabriel Arruda com a Rua das Nações, no Alto da Boa Vista (zona norte). Os pedestres também circulam no meio da via para fugir do mato alto que ocupa um terreno particular e a calçada no entorno.
A empregada doméstica Maria Aparecida de Oliveira, de 42 anos, mora nas imediações e relatou que o problema se agrava durante a noite, quando a visibilidade é menor.
O eletricista João Machado, de 69 anos, também morador do bairro, desconhece quem seja o proprietário do espaço, mas relatou que já fez várias reclamações à CMTU. Além do risco de atropelamento, ele acrescentou que o lixo que a população joga no meio do mato oferece perigo, já que pode esconder focos de mosquito Aedes aegypti, transmissor da dengue. "O pessoal que faz a vistoria já tirou muito lixo de lá com larvas do mosquito", reclamou.
De acordo com a assessoria da companhia municipal, equipes da CMTU realizaram a capina e roçagem em 7,2 milhões de metros quadrados de áreas públicas, de janeiro a março deste ano. Do total, 130 mil metros quadrados são em unidades básicas de saúde e escolas. O serviço também foi executado em 80 terrenos particulares. A estimativa da companhia é que hoje existam 40 mil terrenos particulares, sendo que mais da metade devem estar abandonados com mato alto.
O valor da multa para quem deixa o terreno com mato alto é baseado no Código de Posturas do município que determina R$ 2 por metro quadrado. Além da multa são cobrados pela CMTU R$ 0,16 por metro quadrado roçado às custas do poder público e taxa de serviço de 10%.


