Edmundo Inagaki

Kraw PenasAntonio Clementino: ‘‘Esse córrego está cheio de doença ruim’’Matinhos, uma das principais cidades do Litoral paranaense, perdeu o controle sobre as invasões de terrenos e o saneamento básico. O crescimento desordenado ameaça o futuro do município de quase 30 mil habitantes. A prefeitura não dispõe de dados sobre as ocupações irregulares e o tratamento de esgoto.
O vice-prefeito, José Reinaldo Muller, reconhece que o sistema de saneamento básico de Matinhos é deficiente, cobrindo apenas 30 ou 40% da área central da cidade e ignorando a periferia. Durante a temporada de férias, quando a população local e o volume de esgoto sanitário chegam a quadruplicar, os dejetos são lançados, sem qualquer tratamento, nos rios e canais, que correm em direção ao mar.
Não é preciso ir muito longe para verificar a gravidade dos problemas. Em frente à prefeitura, estão os jardins Vista Alegre e Boqueirão, ambos irregulares, assim como os bairros Tabuleiro e Mangue Seco. Todos têm água e luz, mas não esgoto.
De acordo com o presidente da Associação de Moradores, Tony Yousef, cerca de 7 mil pessoas vivem em áreas invadidas na região. ‘‘O prefeito e os vereadores sabem que nós queremos legalizar isso, com as escrituras dos terrenos. Nós concordamos em pagar, desde que seja cobrado o preço justo’’.
Yousef diz que a maioria dos moradores dessas áreas comprou os ‘‘direitos’’ sobre as casas ou terrenos dos primeiros invasores, há cinco ou seis anos.‘‘Quem está aqui não invadiu nada. São famílias do Brasil inteiro que vieram em busca de um lugar ao sol’’.
Em Caiobá, balneário de Matinhos, outra ocupação clandestina - a Vila Nova Caiobá, a dez minutos da badalada Avenida Atlântica - cresce numa velocidade espantosa. Onde há pouco mais de três anos só havia casebres de madeira, surgem casas em alvenaria, com vários quartos e até parabólica. Em 94, o motorista Aloir Walter pagou a um invasor R$ 230,00 por um lote de 12 x 30 metros, onde levantou sua casa. ‘‘Hoje não vendo nem por R$ 4 mil’’.
O desempregado Antonio Cruz Clementino construiu há quatro anos um barraco às margens do córrego que desemboca no Rio Matinhos. Sobrevivendo do lixo recolhido nas imediações, Clementino reclama das constantes enchentes e da poluição. ‘‘Esse córrego está cheio de doença ruim. Já vi rato, gato e até cachorro morto boiando aí. Se não canalizar, vai continuar morrendo criança queimando de febre e com ferida brava’’.

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