O problema da falta de rigor no controle da infecção hospitalar, verificado pela Secretaria Municipal de Saúde em várias maternidades de Curitiba, se repete na grande maioria dos hospitais paranaenses. Um levantamento realizado pela Secretaria Estadual da Saúde no ano passado revelou que 92% dos hospitais têm comissões de controle da infecção hospitalar, mas em menos de 20% elas realmente funcionam.
A informação é da coordenadora do Núcleo Técnico de Acreditação dos Hospitais do Paraná, Ivete Wazur. Ela está coordenando um programa que, a partir de março do ano que vem, irá certificar todos os cerca de 600 hospitais do Estado, de acordo com o nível de qualidade apresentado. Trata-se da acreditação, um sistema que já é utilizado em países como os Estados Unidos.
Ivete explica que não se trata de uma categorização dos hospitais e que a certificação não vai servir como condicionante para liberação de verbas, por exemplo. Segundo ela, com o passar do tempo o sistema surtirá efeitos naturalmente, estimulando os hospitais a investir na qualidade. ‘‘O próprio mercado vai reagir: empresas de seguros-saúde e medicina de grupo, por exemplo, passarão a dar preferência aos convênios com hospitais com melhor certificação’’, afirma.
Nas maternidades de Curitiba, o controle da infecção hospitalar foi um dos problemas mais sérios apontados pelo levantamento. Em várias delas, controles simples, como prazo de validade da esterilização de materiais, não são registrados. Em cinco maternidades foram encontradas embalagens violadas prontas para o uso, permitindo o uso de material sem garantia de esterilização. A maioria também não respeita a barreira física entre áreas contaminadas e limpas, denotando a falta de treinamento e consciência dos técnicos da área.

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