Umuarama A Maternidade Municipal de Umuarama teve de suspender parcialmente o atendimento por falta de médicos. Três obstetras e um ginecologista deixaram a clínica nos últimos dias. Dois pediram demissão e dois foram dispensados pela direção da maternidade. Com o quadro de plantonistas desfalcado, a maternidade está encaminhando parturientes para os hospitais Cemil e Nossa Senhora Aparecida. A secretária municipal de Saúde, a oftalmologista Lisbeth Scanavaca, disse ontem que a medida é provisória, até que sejam contratados novos médicos.
A secretária nega que a demissão de médicos esteja ligada às denúncias de erro ou negligência nas mortes de três bebês ocorridas em fevereiro e março. Segundo ela, dois médicos pediram dispensa por outras propostas de trabalho. Os outros dois foram demitidos por reclamações quanto ao atendimento. ''Atrasavam-se para chegar, não mantinham boa comunicação com os pais; problemas desse tipo'', explicou Lisbeth.
As mortes de dois bebês durante o parto feito com a ajuda de fórceps estão sendo apuradas pelo Ministério Público e a Polícia. ''Não encontramos irregularidades nos procedimentos e estamos aguardando os exames de necropsia para saber se houve alguma falha. Uma família fez a denúncia porque o bebê nasceu morto, mas tinha marcas de agulha no braço. É natural que os pediatras tentem reanimar a criança'', justificou. Ainda segunda a secretária, no último caso, a criança morreu de uma infecção contraída da mãe na hora do parto, mas os médicos não teriam explicado corretamente o fato aos pais, o que gerou revolta e suspeita. A mãe alega que ela e o bebê contraíram infecção hospitalar.
Instalada no Hospital Umuarama, a maternidade realiza de 90 a 100 partos por mês, com 70% de mulheres vindas de Umuarama e 30% da região. ''Nosso índice de mortalidade é menor que dos hospitais. Dos 20 recém-nascidos que morreram ano passado no município, 10 foram na maternidade. Porém, realizamos 60% dos partos e recebemos a maioria dos casos de alto risco'', defendeu-se a secretária. A maternidade foi criada para incentivar o parto normal, porque Umuarama tinha um dos maiores índices de cesárea do Brasil, cerca de 85%.

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