Maternidade resgata antigas práticas
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sábado, 09 de maio de 2009
Carolina Avansini<br>Reportagem Local 
Elas preferem o parto natural, pretendem amamentar por bastante tempo, não acreditam em ''manha'' - atendendo ao choro dos filhos sempre que solicitadas - e utilizam acessórios que ainda causam estranheza, como os 'slings', comuns em outras culturas, para carregar bebês junto ao corpo.
Jovens e ativas, surpreendem ao adotarem comportamentos parecidos com o das avós quando o assunto é maternidade. Mas, diferente das mães do século passado, são cheias de referências sobre as práticas que defendem quase como militantes, buscando informações em livros, revistas, sites e comunidades da internet.
Convictas de que vivem uma surpreendente experiência por meio da criação dos filhos, essas mulheres não se intimidam diante dos apelos da indústria de produtos infantis e da medicina mais tradicional para que adotem posturas imediatistas e aparentemente mais cômodas na condução dos cuidados com as crianças.
Mãe de primeira viagem, a jornalista Ana Carolina Arruda Franzon, 28 anos, sempre foi adepta de práticas naturais e, quando soube que estava grávida, não hesitou ao decidir que o parto seria normal. ''Encontrei um obstetra que respeitou minha intenção de ter a Iara com o mínimo de intervenções'', conta ela, que controlou todo o trabalho de parto e deu à luz no chão do quarto do hospital.
As pesquisas na internet foram fundamentais para Ana Carolina obter argumentos que sustentaram as condições do nascimento da pequena Iara, 4 meses, que não passou por procedimentos neonatais preventivos, como uso de colírio e sonda no nariz. ''A gente não queria práticas invasivas, mas foi difícil convencer a equipe do hospital'', revela.
A vontade de amamentar foi quase frustrada por uma cirurgia de redução de mamas feita anos antes. Convicta sobre os benefícios do aleitamento materno, Ana ficou decepcionada quando o pediatra disse que não conseguiria.
Em visitas a bancos de leite, ela acabou descobrindo a técnica da relactação, que consiste em colocar uma pequena mangueira de sonda colada ao seio, que conduz leite artificial à criança. Ao sugar o seio da mãe, o bebê toma o complemento e acaba estimulando a produção do leite materno. Quando Iara começar a receber outros alimentos, é possível que não precise mais do complemento artificial.
Marília Mercer, 26 anos, encontrou na chamada maternidade ativa uma forma de complementar a renda. Encantada com a filosofia que envolve o uso do sling, pautada principalmente pelo contato entre a mãe e o bebê, ela começou a fabricar os ''carregadores de bebês'' para atender amigos e pessoas que a paravam na rua para perguntar sobre o acessório que usa com o filho Gabriel, de 1 ano e 2 meses.
Mãe de dois garotos, Gabriel e Mateus, de 10 anos, ela teve dois partos normais. O primeiro filho, nascido quando Marília ainda era adolescente, foi amamentado até pouco mais de um ano. O aleitamento só foi interrompido porque a mãe estava com problemas de saúde.
''Na época eu agia de forma mais instintiva, sempre de acordo com práticas naturais. Com o segundo filho, busquei muitas informações para sustentar minhas decisões'', diz ela, que se considera uma militante da maternidade ativa e pretende amamentar Gabriel ''até quando ele quiser''.
Marília, que deixou o emprego quando decidiu engravidar pela segunda vez, acredita que a maternidade dela é parecida com a vivida pela avó. ''Para mim, cuidar de filho não é sofrimento. Não tenho intenção de terceirizar o cuidado com as minhas crianças'', explica a moça, cuja mãe sempre trabalhou muito. ''Não quero que meus filhos tenham uma mãe ausente.''
Marília, Ana Carolina e as outras mães ouvidas pela reportagem são unânimes ao afirmar que se sentem ''nadando contra a corrente'' ao adotarem posturas consideradas radicais. ''As pessoas sempre acham que o Gabriel mama muito, que vive no colo... Depois, as mesmas pessoas comentam que ele é calminho'', diverte-se Marília.


