Um dos maiores dilemas atuais enfrentados pelo universo feminino é conciliar a maternidade com a carreira profissional. As mulheres definitivamente conquistaram espaço no mercado de trabalho, competindo de igual para igual com os homens. Muitas desempenham funções de liderança, o que exige ainda mais dedicação e tempo. Tudo isso contribui para que uma quantidade cada vez mais expressiva de mulheres opte em adiar a gravidez o máximo possível.
  Segundo a psicóloga Cynthia Boscovich, de Londrina, a maternidade é uma escolha que requer dedicação e renúncia. ‘‘Não é toda mulher que está disposta a isso. E cada uma deve priorizar o que julgar mais importante’’, afirma, ressaltando que a mulher que abandona a carreira para cuidar dos filhos não pode exigir que ninguém reconheça ou ofereça alguma recompensa no futuro por essa atitude. ‘‘É uma escolha apenas dela’’, ressalta.
  Na maioria dos casos, no entanto, não é possível se dar ao luxo de parar de trabalhar, uma vez que a mulher contribui significativamente no orçamento familiar. Independentemente disso, muitas nem cogitam a possibilidade de se afastar do emprego. E o que fazer para realizar ambas as tarefas com satisfação?
  Uma saída, de acordo com a psicóloga, é planejar a gravidez e pensar com antecedência onde e com quem a criança vai ficar no momento em que a mãe tiver que retomar os compromissos profissionais. ‘‘Planejar é fundamental para a segurança da mãe e do beb꒒, orienta.
  As mães normalmente ficam muito angustiadas quando precisam deixar a criança. Para evitar tanto sofrimento, na opinião de Cynthia, é importante lembrar que todo bebê necessita de uma adaptação gradativa com a pessoa que irá cuidar dele. ‘‘Isso é válido inclusive para aqueles que ficarão em creches ou berçário. Pode ser um desastre psíquico para os bebês se forem deixados em um local ou com alguém desconhecido sem uma adaptação prévia’’, explica. Ela acrescenta que a mãe normalmente sabe por quanto tempo a criança consegue ficar bem sem ela.
  Ainda com o objetivo de conciliar a carreira profissional e a maternidade, recomenda-se que a mulher tenha uma carga horária menor ou flexibilidade de horários. Trabalhar em casa, no entanto, nem sempre é vantajoso. ‘‘Percebo que as mães que trabalham em casa não conseguem se dedicar como gostariam às duas funções e sentem-se ‘devedoras’ nos dois lados’’, pontua Cynthia.

Apoio
  ‘‘Sempre fui apaixonada pela minha profissão, mas hoje minha prioridade são meus filhos’’. A afirmação é da decoradora de interiores Andreza Costa Rodrigues, de 31 anos, que tem três filhos: João Carlos, 4, Maria Vitória, 2, e Ana Clara, 7 meses. Nenhuma delas foi planejada.
  ‘‘No início fiquei um pouco assustada, mas hoje percebo que é possível conciliar a maternidade com a carreira. No meu caso, fiz algumas adaptações, como atender os clientes em casa, e consegui continuar trabalhando’’, afirma Andreza. E ela conta que sempre contou com o apoio de sua mãe. ‘‘Sem ela não sei o que faria’’, admite.
  Apesar da correria, Andreza não pretende parar de trabalhar. Atualmente, conta a vantagem de ter matriculado os filhos em uma escola onde eles ficam o dia todo. ‘‘Quando crescerem e tiverem que mudar de escola, vou precisar sentar com o meu marido e decidir como faremos’’, aponta.

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