Marcos Zanatta
De Maringá
A diretoria do Hospital Universitário de Maringá (HU) comunicou o Conselho Regional de Medicina, a 15ª Regional, a Secretaria Municipal de Saúde e o Ministério Público sobre a precariedade no atendimento a gestantes. ‘‘Se houver morte as autoridades competentes estarão avisadas’’, diz o superintendente do hospital, Vicente Kira. ‘‘Assim como todo início de ano, o HU está trabalhando com a capacidade total, mas não esperávamos um movimento tão grande em período prolongado como vem acontecendo agora’’.
O HU tem 16 leitos de obstetrícia, cinco berçários e seis de UTI neonatal. ‘‘Estão todos lotados e os pacientes estão sendo atendidos de forma precária e improvisada’’, revela Kira. Na média, o hospital tem atendido 80 gestantes por mês. Mas segundo Kira, em alguns dias são oito gestantes em busca de vaga. ‘‘Precisamos improvisar, colocar a mãe e muitas vezes a criança no pronto-atendimento, que não é um local adequado’’, queixa-se.
A dona de casa Gisele Ferreira, de Maringá, que na semana passada ganhou o segundo filho no HU, disse que estranhou o atendimento. ‘‘Meu primeiro filho nasceu aqui e foi tudo bem diferente’’, recorda. Ela conta que sentiu as contrações e foi para o HU. O hospital alegou que não tinha vagas, buscou alternativa mas não conseguiu nem na região.
O que aconteceu com Gisele é normal, segundo o superintendente. ‘‘As gestantes chegam e a gente começa a procurar vagas. Como não dificilmente encontramos, a criança nasce e temos que atender’’, conforma-se.
A situação foi criada, afirma Kira, pelas novas regras do SUS, que obriga os hospitais conveniados a cumprir a cota de 40% de partos normais. ‘‘Os hospitais de toda a região estouram a cota de cesarianas e mandam as gestantes para cᒒ. As condições de atendimento não só a gestantes, mas em todos os setores, está deixando os médicos estressados.
‘‘Nossa esperança é a maternidade municipal, desde que comece a funcionar com todos os setores’’, afirma Kira. A maternidade deve ficar pronta em maio.

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