A Maternidade Municipal de Londrina não está mais fazendo o teste de Aids nas mulheres que dão à luz no hospital. O exame, que custa R$ 5,00, era fornecido pelo Ministério da Saúde, que suspendeu o repasse dos kits em agosto do ano passado.
Chamado de teste-rápido, o exame utiliza uma gota de sangue da gestante e o resultado é imediato. O sangue é colocado numa fita com um reagente químico que muda de cor. Se o resultado for positivo, várias medidas podem ser tomadas para tentar evitar que o bebê seja infectado pelo vírus HIV. Quanto antes se inicia o tratamento, maiores são as chances do bebê.
Até os seis meses de idade o risco de infecção em bebês que estão sendo medicados cai de 40% para 8%. Outro fator importante que recomenda a utilização do teste-rápido em gestantes é que os médicos descobriram que a cesariana também diminui a possibilidade de infectar o bebê na hora do nascimento.
O diretor-geral da Maternidade, Alessandro Galetto, reconhece a importância do exame e lamenta que ele não esteja sendo feito. ''O teste-rápido é fundamental porque aumenta muito a segurança do bebê e nos dá possibilidades de tentar diminuir o risco de infecção'', disse. Muitas mulheres grávidas não fazem o exame de Aids durante a gravidez e mesmo naquelas que tenham tido resultado negativo o teste-rápido deve ser feito.
''Pode acontecer da mulher se infectar durante a gravidez, depois de ter feito o exame ou ainda do vírus demorar para aparecer e assim, o primeiro exame dá negativo'', explicou a enfermeira responsável pelo serviço de infecção hospitalar da maternidade, Waleska Stulzer.
O hospital aplicou o teste-rápido em 2.070 mulheres no período de novembro de 2000 a agosto de 2001. Cinco estavam infectadas pelo vírus e não sabiam disso. ''Uma delas não permitiu o exame de Aids durante o pré-natal feito no posto de saúde. Nós conseguimos convencê-la a fazer o teste-rápido aqui no hospital'' contou Waleska.
A Maternidade está tentando conseguir novos kits para retomar a aplicação do teste-rápido. ''O Ministério da Saúde alegou que precisava abrir um processo de licitação para comprar os kits, mas isso já aconteceu há quase um ano'' afirmou Waleska. Ela disse ainda que está há meses telefonando para o ministério pedindo os kits. ''Ficam enrolando a gente e o material nunca chega'', lamentou.
Segundo a assessoria de imprensa do Ministério da Saúde, 90 mil kits foram comprados pelo governo em fevereiro e distribuídos entre os Estados. Ainda de acordo com a assessoria, a quantidade foi bem menor para estimular o parto humanitário com testes regulares no pré-natal.

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