Maternidade de Umuarama justifica mortes de bebês
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sexta-feira, 14 de fevereiro de 2003
Vânia Moreira<br>Equipe da Folha 
Umuarama O diretor da Maternidade Umuarama, Carlos Lisboa, disse ontem que as denúncias envolvendo a morte de recém-nascidos são infundadas e estão prejudicando a imagem do hospital. Em menos de 15 dias, dois bebês morreram devido a complicações durante o parto e as famílias acusam a maternidade de erro ou negligência. Em ambos os partos, realizados pelo mesmo obstetra, foi necessário o uso de fórceps. ''O uso de fórceps não mata bebês, senão seria proibido pela medicina. O aparelho é uma alternativa para salvar a vida do bebê e da mãe quando há complicações e o estágio do parto já não permite mais fazer a cesariana'', explicou.
Segundo Lisboa, a denúncia feita pela família de S.M., 17 anos, que teve bebê na maternidade dia 2 de fevereiro, é infundada. A família questiona o fato de no atestado de óbito constar que o bebê nasceu morto e a criança apresentar marcas de agulha no braço. ''Isto só prova que os médicos ainda se esforçaram para tentar reanimá-lo'', afirmou Lisboa. O promotor Marcelo Machado pediu a exumação do cadáver para investigar a denúncia. O legista não encontrou ferimentos na cabeça da criança e encaminhou amostras de tecido para exames que vão atestar se o bebê nasceu com vida.
No outro caso, ocorrido dia 21 de janeiro, a polícia também está investigando se houve alguma irregularidade. Segundo a maternidade, o bebê morreu por aspirar líquido na hora do parto, mas a família afirma que a criança tinha marcas de ferimentos na cabeça, supostamente provocados pelo uso do fórceps.
O diretor da maternidade informou que analisou todos os procedimentos médicos em ambos os casos e não encontrou irregularidades. ''Não havia indicação para cesariana'' afirmou. Ele disse que no parto podem ocorrer complicações imprevisíveis, mas o risco de complicações na cesariana é sempre cinco vezes maior.
Lisboa disse que Umuarama já foi a ''capital nacional da cesariana'' e ainda é muito difícil mudar a mentalidade das pessoas. ''A maternidade foi criada em 1999 para incentivar o parto normal, tem estrutura para atender gestantes e recém-nascidos de alto risco dos 22 municípios da região e contribui para reduzir os índices de mortalidade materno-infantil'', ressaltou. ''Esperamos que as investigações comprovem apenas fatalidades, mas se for constatada qualquer irregularidade tomaremos as providências'', acrescentou.


