Uma grande quantidade de raspa de couro contaminada por trióxido de cromo está enterrada numa chácara em Cafeeiros, um bairro rural de Cruzeiro do Oeste (25 quilômetros a leste de Umuarama). O material altamente tóxico foi deixado no local por uma fábrica clandestina de processamento de sebo, fechada há dois anos pelo Instituto Ambiental do Paraná (IAP). A prefeitura enterrou parte do lixo no ano passado e o dono da chácara, Sebastião Alves, cultiva mandioca na área para vender às farinheiras. Ele achou que a raspa de couro fosse adubo. Os moradores do distrito não sabem que se trata de lixo tóxico.
Segundo o engenheiro químico do IAP, Clori Pontelo, o trióxido de cromo utilizado no tratamento do couro contém substâncias cancerígenas. Não pode ser queimado porque libera gases tóxicos. Segundo o químico, é possível enterrar o material, desde que isolado por lonas plásticas pretas e depositado a um metro e meio de profundidade. ‘‘É preciso ainda que a área seja separada com cerca segura e afixada uma placa alertando sobre a existência de resíduo industrial perigoso.’’ A prefeitura se limitou a jogar terra sobre o lixo.
Segundo o promotor de Cruzeiro do Oeste, Willian Gil Pinheiro, os donos da fábrica clandestina estão desaparecidos. Ele vem tentando descobrir qual curtume produziu o lixo para obrigar a empresa a recolhê-lo. O promotor não sabia que a prefeitura havia enterrado o material e vai apurar quem determinou. O IAP em Umuarama alega que também não tinha conhecimento do fato. Pinheiro disse que quando a fábrica clandestina foi fechada, ele encomendou uma vistoria do IAP para saber o que eram aqueles montes de restos de couro. Quando recebeu o laudo comprovando que se tratava de lixo tóxico, não conseguiu encontrar os donos da fábrica.
O processamento de sebo era feito a céu aberto. O local foi interditado quando os moradores de Cafeeiros (cerca de 30 famílias) reclamaram do mau cheiro à promotoria. A dona da fábrica, Eliane Spliter, foi multada e denunciada por crime ambiental. Segundo o dono da chácara, enquanto funcionou a fábrica foram depositados cinco caminhões de raspa de couro no local. ‘‘Eles diziam que era de um curtume de Umuarama e que para conseguir sebo tinham de levar também os restos de couro. Falaram para a gente que servia como esterco’’, disse Alves.
O promotor pediu um levantamento dos curtumes existentes num raio de 100 quilômetros para tentar descobrir de onde saiu o material tóxico. Segundo o IAP, somente análises da Secretaria da Agricultura e Abastecimento do Estado poderão determinar se os alimentos produzidos na chácara estão contaminados pelo cromo.

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