Material some da Secretaria de Saúde
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quinta-feira, 30 de novembro de 2000
Dimitri do Valle De Curitiba 
Lotes de material para esterilização hospitalar foram desviados dos estoques da Secretaria Estadual da Saúde. Sindicância interna da secretaria, concluída em agosto deste ano, sugere que o detergente da marca Endozime pode ter sido revendido pela Star Artigos Médicos e Hospitalares Ltda. para a Prefeitura de São José dos Pinhais, Região Metropolitana de Curitiba.
Sidnei Guetten, chefe do Departamento de Material e Patrimônio (Demp), foi afastado das funções. Ele é acusado na sindicância de liberar a saída do Endozime, que foi parar num barracão no bairro Xaxim, em Curitiba, antes de ser comercializado. Chefes de divisão do Demp disseram em depoimento que Guetten autorizou a saída dos lotes com a meta de baixar o estoque do material. A sindicância não revela a quantidade do material que desapareceu.
Oficialmente, Guetten teria determinado doações de Endozime para o Hospital de Clínicas da Universidade Federal do Paraná (UFPR), Hospital Regional de Cascavel e 6ª Regional de Saúde, em União da Vitória. No entanto, a direção dos dois hospitais e da regional não confirmaram o recebimento de nenhum litro do detergente.
O sumiço do Endozime veio à tona depois que o representante da empresa Profilática, Eridon Pereira de Araújo, que tem os direitos de comercialização do material, alertou a secretaria. A chefe da Divisão de Compras, Kioko Kakizaki, relatou na sindicância que Araújo a procurou para avisar que a empresa Star estaria comercializando o produto a preços abaixo do mercado e, que havia encaminhado ofício para todas as unidades usuárias do produto informando que estava sendo extraviado o Endozime de órgão público, no qual citava os lotes, e solicitava que as unidades usuárias não comprassem porque o procedimento era ilícito.
Araújo informou a Kioko que o produto foi adquirido pela Prefeitura de São José dos Pinhais. O secretário de Saúde do município, Alzemiro Possebom Júnior, disse que não tinha conhecimento do caso. Não sabemos de nada, nem a secretaria estadual me falou. Estou sabendo por você (repórter) agora, afirmou o secretário, declarando que iria se inteirar da situação para dar uma resposta. O ex-chefe do Demp, Sidnei Guetten, não foi localizado pela reportagem. Na sindicância, Guetten disse não saber informar se o material chegou ao destino previsto. O acusado afirmou ainda não ter conhecimento de qualquer doação sem autorização do Instituto de Saúde do Estado do Paraná (ISEP), que controla o Demp.
Resultados da sindicância foram encaminhados à Procuradoria Geral do Estado (PGE) e ao Ministério Público Estadual. A PGE instaurou processo administrativo para apurar se existem outros funcionários envolvidos no desvio, informou o diretor de recursos humanhos da Secretaria de Saúde, Carlos Batista Soares. Ele disse que o paradeiro do material, que teria sido adquirido pela Prefeitura de São José dos Pinhais, causou surpresa na secretaria. Soares informou que como a sindicância tinha poderes reduzidos, todos os citados no caso deverão prestar esclarecimentos no processo administrativo aberto na PGE. O procurador-geral Joel Coimbra também não foi encontrado para falar sobre a investigação.


