Material reciclável é maior ameaça
O lixo reciclável acumulado nas residências é a maior ameaça contra a dengue. Conforme Elson Belisari, coordenador do setor de endemias da Vigilância Epidemiológica em Londrina, 52,1% dos focos do mosquito Aedes aegypti encontrados no município estavam em garrafas pet, latas, sacolas plásticas e outros materiais recicláveis. Em segundo lugar, vêm os vasos de plantas com pratinhos, que representam 23,1%.
''O próprio saco verde da reciclagem acumula água e favorece a proliferação das larvas, mesmo quando está amarrado. Esse material deve ficar em local protegido da chuva'', disse. O coordenador avaliou também que o serviço de coleta seletiva não tem sido suficiente para recolher todo o material guardado pelos moradores, o que aumenta os riscos da doença. ''Uma coleta seletiva mais eficiente ajudaria muito no controle da dengue'', afirmou.
Nas residências de trabalhadores da coleta seletiva e empresas que acumulam o material descartado pela população, a vigilância tem feito um trabalho diferenciado, que inclui visitas quinzenais para aplicação de um inseticida mais potente que tem duração de até duas semanas. ''São 404 pontos estratégicos que recebem esse controle em toda a cidade.''
Segundo a assistente social da Prefeitura, Marilys Garani, muitos moradores acondicionam os sacos verdes da reciclagem em local inadequado, permitindo o acúmulo de água. ''O material mal acondicionado deteriora-se e sofre desvalorização quando o catador vai vendê-lo'', afirmou.
Marilys informou que os catadores de material reciclável estão trabalhando juntamente com os agentes de controle da dengue e estagiários da escolas técnicas de meio ambiente para orientar a população sobre a forma correta de armazenar o lixo reciclável. ''Fazemos panfletagem nos bairros explicando aos moradores o que pode ser reciclado e como e onde deve ser acondicionado'', comentou.
Além dos 44 casos de dengue registrados em Londrina, há outras 762 suspeitas. ''Há casos em todas as regiões da cidade. Nenhum bairro está em situação tranquila'', afirmou Belisari. (C.A. e Caroline Vicentini)





