Material reciclável dá pouco dinheiro
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sexta-feira, 15 de junho de 2001
Érika Pelegrino De Londrina 
O lixo reciclável não possui todo o potencial econômico que costuma-se creditar a esse tipo de material - alerta o professor de saneamento e meio ambiente da Universidade Estadual de Londrina (UEL), Fernando Fernandes. Ele ressalta que os recicláveis não têm viabilidade como um grande negócio, mas como uma questão social.
Segundo Fernandes, o lixo reciclável só é viável economicamente em pequenas proporções. Ele explica que existem preços diferenciados para cada resíduo, sendo as latas de alumínio de refrigerante e cerveja as mais valiosas. Em seguida vêm papel, plástico e depois o vidro. Mas o professor diz que o dinheiro que se consegue com a venda desses materiais é pouco.
As pessoas dizem que em Nova York o lixo está nas mãos da máfia por causa do dinheiro que se obtém com ele, cita. Não é bem assim. Está nas mãos da máfia sim, mas porque o serviço é subsidiado pelo governo que libera muito dinheiro para que seja feito e não por causa de seu potencial econômico, explica.
Num leilão de recicláveis realizado em 15 de maio pela administração municipal de Londrina, foram vendidas cerca de 30 toneladas de material com um lucro de R$ 10 mil a R$ 15 mil - segundo informações da comissão de vendas do evento. O balancete oficial deverá ser apresentado na próxima semana. Antes de o leilão ser realizado, a expectativa do presidente da Companhia Municipal de Trânsito e Urbanização (CMTU), Wilson Sella, era de arrecadar R$ 100 mil.
A rentabilidade dos recicláveis não é suficientemente grande para que uma prefeitura obtenha renda. Num sistema de cooperativa é viável, afirma o professor Fernandes. Segundo ele, para que cooperativas ou ONGs de catadores de lixo, como as que estão se formando em Londrina, consigam lucros maiores é preciso industrializar o material, criando produtos. Uma das metas da CMTU é agregar valor ao reciclável.
A companhia pretende comprar máquinas e treinar representantes das cooperativas e das ONGs para que aprendam a confeccionar mercadorias a partir de garrafas PET e outros materiais. Vassouras, mangueiras e camisetas estão na lista das mercadorias que poderão ser confeccionadas a partir do lixo futuramente.


