Matemáticos prodígios
PUBLICAÇÃO
segunda-feira, 28 de maio de 2012
Marcos Roman <br> Reportagem Local 
Cálculos, equações, teoremas e fórmulas matemáticas são vistos como bichos de sete cabeças pela maioria das pessoas. No entanto, para alguns adolescentes essas questões não passam de desafios atraentes e fáceis de serem resolvidos. Visando reconhecer o talento de estudantes com esse perfil, o governo federal criou a Olímpiada Brasileira de Matemática das Escolas Públicas (OBMEP). Os medalhistas da competição realizada em 2011 agora estão se aprofundando na disciplina através de um programa que tem como meta incentivar o ingresso em cursos de engenharia e outros da área de Ciências Exatas.
Em Londrina, 58 adolescentes de vários municípios paranaenses participaram no último final de semana da aula inaugural do Programa de Iniciação Científica Júnior (PIC) da OBMEP. A atividade foi realizada na Universidade Estadual de Londrina (UEL). ''Cerca de 80 alunos de dezenas de municípios paranaenses irão se reunir aqui um sábado por mês em período integral para discutir problemas de matemática e geometria que não fazem parte do programa pedagógico do ensino fundamental e médio. Além disso, os estudantes participarão de um fórum de discussão pela internet e deverão criar grupos de estudo com carga horária semanal mínima de 6 horas'', explicou Ana Lúcia da Silva, coordenadora do PIC em Londrina e professora do curso de Matémática da UEL.
Ela explica que o PIC tem duração de um ano e que os alunos envolvidos recebem um incentivo financeiro durante este período. ''Foram concedidas 4,5 mil bolsas de estudo no valor mensal de R$ 100 cada a estudantes paranaenses e outras milhares para os demais estados brasileiros. Além de Londrina, o Paraná conta com outros quatro polos de estudo. Essa é uma forma de promover uma maior interação entre os alunos dos ensinos Fundamental e Médio com o ambiente universitário e mostrar a eles como a matemática é aplicada de forma prática e objetiva em diversas ciências, como nas engenharias, na medicina, na arquitetura e em diversas outras áreas'', destacou a docente.
De acordo com Ana Lúcia, o PIC tem atingido seu objetivo desde a criação do programa, em 2006. ''Os estudantes que participam da atividade acabam criando uma intimidade ainda maior com a matemática e se sentem motivados a ingressar nos cursos que têm a disciplina como base'', argumenta.
A coordenadora do PIC cita o estudante Leonardo Gonçalves de Oliveira, 18 anos, como um desses exemplos. ''Eu sonhava em fazer curso superior em Jornalismo ou outro da área de humanas, mas depois que participei do PIC em 2006, mudei de ideia. Estou cursando o segundo ano do curso de bacharelado em Matemática na UEL porque achei encantadora a maneira como coisas que aparentemente não tem nada a ver umas com as outras acabam se ligando através das equações matemáticas'', afirma o estudante que já planeja fazer mestrado e doutorado na área.


