Matemática que transforma vidas
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quarta-feira, 05 de maio de 2010
Carolina Avansini<br>Reportagem Local 
A vida do estudante Lucas Felipe Sobrinho Ignácio, 12, de Ibiporã (Norte), foi transformada por uma ciência que, ao sintetizar a busca pelos mais exatos resultados, desperta amor e ódio entre os que frequentam os bancos escolares. Graças à medalha de ouro recebida na última edição da Olimpíada Brasileira de Matemática das Escolas Públicas (Obmep), ele ganhou uma bolsa de estudos integral em uma escola particular, cuja direção decidiu contemplar o adolescente após saber da vitória na olimpíada por uma reportagem da Folha de Londrina.
Além da garantia de educação de boa qualidade, a dedicação à disciplina também trouxe a Lucas a oportunidade de frequentar um programa de iniciação científica da Universidade Estadual de Londrina (UEL). Hoje, 6 de maio, quando o Brasil comemora o Dia Nacional da Matemática, a história do estudante volta a estampar as páginas do jornal para lembrar que a dedicação aos problemas, equações e cálculos pode fazer diferença na trajetória educacional de cada um.
Lucas foi um dos 300 contemplados pela medalha de ouro da Obmep. Ele, que aprendeu a ler e escrever antes mesmo de entrar na escola, concorreu com 19,2 milhões de estudantes de escolas públicas de todo Brasil. ''Estudei em livros de séries mais avançadas com a ajuda do professor (Silvio Ito, da Escola Estadual do Jardim San Rafael, onde o garoto estudava até o ano passado).''
A bolsa de estudos no Colégio Integrado Sônia Marcondes realizou um sonho. ''Sempre tive vontade de estudar neste colégio, que é um dos melhores de Ibiporã'', disse. O desempenho de Lucas no primeiro bimestre rendeu elogios da coordenadora Valéria Gambaro. ''Ele ainda não tinha visto alguns conteúdos, mas tirou 10 em Matemática e superou todas as nossas expectativas.''
O estudante que gosta de futebol e não perde muito tempo com videogames quer ser engenheiro ou arquiteto. Para ele, a graça da disciplina está no desafio imposto por ''contas gigantes'' que levam ao resultado correto. Ciente da importância do incentivo dos professores, ele também define as características de um bom mestre: ''tem que saber explicar e desafiar os alunos com muitos exercícios''.
Sem meio termo
Para os irmãos Gustavo e Giovana Rosa Gameiro, de 14 e 11 anos, a preferência pela Matemática é explicada pelo apreço à exatidão dos resultados. ''É uma disciplina exata, sem meio termo ou exceções. Por isso é mais fácil de entender'', explicou Gustavo que, como a irmã, estuda a matéria através do método Kumon.
Curioso, ele conta que gosta de avançar nos estudos da disciplina e, por isso, domina conteúdos que ainda não foram estudados pelos alunos do primeiro ano do Ensino Médio, onde está matriculado. ''Sou monitor do programa de 'tira-dúvidas' do colégio e já cheguei a explicar matemática para alunos de séries mais avançadas. Gostar dessa matéria sempre gera curiosidade entre meus amigos, porque a maioria das pessoas têm dificuldades.''
Para ele, o bom professor tem que proporcionar desafios e questionamentos, estimulando o raciocínio. ''Precisa ser divertido e ensinar através de brincadeiras'', completou.
Giovana também gosta das aulas de Língua Portuguesa apesar do apreço por frações, equações e exercícios que desafiam o raciocínio, e não vê dificuldades em estudar Matemática. Ela, que também ensina amigos mais velhos graças aos avanços obtidos no Kumon, pretende ser médica e não se importa com a curiosidade das amigas que detestam a disciplina. ''Matemática é exata, por isso, não é nada difícil entender os exercícios.''


