Matemática não é mais bicho-papão
Matemática não é mais bicho-papão
Jornal, fita crepe, tesoura e fita métrica se tornaram, durante este ano letivo, os melhores aliados de alunos da 8ª série de uma escola pública em Ivaiporã (Centro do Estado). Graças à iniciativa da professora Lucilene Adorno, as aulas de matemática, pavor de nove entre dez alunos, se transformaram em uma divertida experiência na Escola Estadual Raul Rodrigues Gomes.
No primeiro dia de aula, os alunos recortaram quadrados de jornal com um metro de lado. Depois de alguns minutos, eles descobriram que o quadrado tem lados iguais e significa, simbolicamente, 1m2. Pronto. É o estímulo para partir para a próxima descoberta: quantas pessoas cabem em 1 metro quadrado. Os alunos se movimentam e, sobre a figura de papel, percebem que cabem 12 pessoas, mas sem poder respirar, diz um deles.
Logo os alunos descobriram que a sala de aula media 45 m2, onde cabiam 180 pessoas ou, bem mais apertadas, 270. Com o estímulo da professora os cálculos foram longe e os alunos nem se deram conta que com a brincadeira eles acabavam de aprender o conjunto dos números racionais.
A partir dessa primeira aula foi fácil despertar nos alunos a vontade de aprender matemática. As aulas, que antes eram sem graça e cheias de números, letras e símbolos, agora viraram sinônimo de diversão e descobertas importantes, comemora a professora Lucilene Adorno.
Depois de desmistificar a figura do quadrado, a professora não teve dificuldades para ensinar as figuras do triângulo, trapézio, hexágono, retângulo e outras.
Com a turma empolgada com a matemática, cada aula era uma oportunidade para trocar experiências e descobrir novos números. Depois de medir a sala de aula foi a vez de medir o quarto de dormir, o pátio da escola e a cela da delegacia. Cela da delegacia? Sim, e isso serviu de discussão para outra atividade: fazer uma pesquisa no bairro e saber como as pessoas viviam. É preciso dar ao alunos a escolha de aprender e aprender fazendo, explica Lucilene.
Os alunos realizaram uma pesquisa em um condomínio residencial para saber como as pessoas viviam, qual era o tamanho da residência e quantos moravam nela, quantas crianças havia em idade escolar havia, qual era o destino do lixo, quantos eletrodomésticos cada família possuía, o que faziam na hora do lazer e até se haviam feito reformas no interior do apartamento.
Na hora de compilar os dados, a turma se dividiu em grupos. Os alunos aprenderam a tabular dados e demonstrá-los em gráficos, e ainda a calcular porcentagens e proporções, explica a professora Lucilene.
Uma nova atividade tomou a sala de aula como foco. Os alunos foram incentivados a fazer uma pesquisa de preços para saber quanto e o que seria necessário para reformar a sala. A partir do orçamento, os alunos começaram a vender pizzas e sonhos na hora do recreio e rifaram uma cesta básica para arrecadar o dinheiro. Conseguiram R$ 1.260,00, suficientes para reformar toda a sala de aula e ainda comprar cortinas, um filtro de água, tapete e até um mosaico para a porta.





