Mauricio Della Barba
De Londrina
Expressão pesada e semblante de preocupação. Era a ‘‘cara’’ da maioria dos candidatos ontem, no terceiro dia de provas do vestibular de verão da Universidade Estadual de Londrina (UEL).
A causa da perda de ânimo foi a dificuldade das provas de matemática e física, consideradas como o ‘‘bicho-papão’’ do concurso. ‘‘Chutei mais que o Dunga’’, disse Marcelo Eduardo Henrique, 25 anos, um dos primeiros a sair da sala. O candidato ao curso de artes cênicas, que presta pela terceira vez um vestibular, disse que resolveu apenas duas das 60 questões da prova.
A desanimação era tanta que, na saída dos corredores da UEL, alguns estudantes já pensavam no próximo vestibular. ‘‘Fui mau. Não estava bem preparada. Acho que vai ficar para outra vez’’, consolava-se Joice Regina Mendes, 21 anos, que tenta jornalismo.
Um erro na hora de preencher o gabarito também acabou com as esperanças de Hugo Araújo, 19 anos, candidato a uma vaga em medicina. ‘‘Já estou fora. Fui bem na prova de português, mas errei todas as questões pois me confundi na hora de preencher o gabarito’’, explicou. A presença na prova de ontem foi apenas um ‘‘desencargo de consciência’’ para Araújo. ‘‘Chutei tudo na letra ‘C’, de cerveja’’, brincou.
Carla Brioschi, 17 anos, veio confiante de Presidente Prudente (SP) tentar uma vaga em odontologia. Mas depois das provas de ontem suas expectativas eram negativas. ‘‘Estou desanimada’’, disse. Carla preferiu não conferir as provas feitas nos dias passados para não desanimar ainda mais.
Apesar da dificuldade, outros candidatos acreditavam em um resultado final positivo no concurso. ‘‘Resolvi várias questões hoje (ontem) e me saí bem em portugês e redação’’, disse esperançosa Thaís Porto, 18 anos, que tenta vaga no curso de artes cênicas. Outra candidata confiante era Graciane Simões Mantelini, 17 anos. ‘‘Se não confiar em mim mesma, vou confiar em quem?’’, indagou a vestibulanda de artes cênicas.
A tranquilidade do vestibular de verão da UEL persistiu no terceiro dia de provas. A rápida chuva que caiu na manhã de ontem serviu para refrescar o clima das salas de provas, mas no final da tarde o calor voltou e chegou a incomodar os candidatos.
Para hoje, último dia do vestibular com provas de história, geografia e língua estrangeira, a expectativa do secretário-geral da Comisssão Permanente de Seleção (Copese), Reynaldo Ramon, é a manutenção da tranquilidade. ‘‘Se Deus ajudar novamente, teremos mais um dia fresco, calmo e sem maiores problemas’’, disse.
Ontem, segundo dados da Copese, mais 82 canditados faltaram às provas, o que elevou o indíce de ausência deste vestibular para 12,51% (2.592 vestibulandos). Apesar do indíce deste terceiro dia ser maior do que o apresentado em todo o vestibular de janeiro do ano passado (12,13%), a organização considera o número normal. ‘‘A média geral dos nossos vestibulares desta época do ano fica entre 12% e 14%’’, disse Ramon.Dificuldade das provas no terceiro dia do vestibular trouxe decepção para alguns candidatos. Índice de ausências subiu para 12,51%
Paulo WolfgangHORA DA SAÍDAUm bom número de candidatos saiu desanimado das salas após as provas de matemática e físicaPaulo WolfgangOTIMISMOThaís Porto, ao contrário, disse que se saiu bemPaulo WolfgangPaulo WolfgangCarla Brioschi, de Presidente Prudente (esquerda): ‘‘Estou desanimada’’. À direita, Marcelo Eduardo Henrique: ‘‘Chutei mais que o Dunga’’