Matas estão ameaçadas pela caça e pelos roubos
PUBLICAÇÃO
quinta-feira, 13 de março de 1997
Simone Mattos 
Da Sucursal
Todas as áreas de preservação ambiental do Paraná estão comprometidas por alguma forma de intervenção humana, como a caça, o roubo e a depredação. Quem garante é o diretor executivo da Sociedade de Pesquisa em Vida Selvagem (SPVS), Clóvis Borges. O Paraná conta com 52 unidades de conservação ambiental estaduais, distribuídas numa área de 1,3 milhão de hectares.
No Parque das Lauráceas, uma das maiores reservas do Estado, acontecem roubos notórios de madeira e palmito, denunciou o ambientalista. O parque está localizado na região da Ribeira e tem 23 mil hectares.
Uma das principais preocupações dos ambientalistas do Estado, segundo explicou Borges, é o processo de extinção das florestas de Araucárias. Atualmente o Estado conta com apenas 1% dos 7,5 milhões de hectares originais. O ambientalista explicou que as Araucárias remanescentes estão nas mãos da iniciativa privada.
Isto é um absurdo, estas florestas estão em extinção e provavelmente não consigam chegar ao próximo século, desabafou.
Ele informou também que há pesca irregular de caranguejos na Estação Ecológica de Guaraqueçaba, que conta com 12 mil hectares de área de preservação. Praticamente todo o palmito produzido nos últimos dois anos no Parque Nacional de Superagui (que está sob jurisdição federal e tem área superior a 40 mil hectares) foi roubado, afirmou.
O ambientalista acredita que não exista uma estrutura de fiscalização suficiente no Estado. Uma das saídas poderia ser a parceria com empresas privadas, como no caso de Salto Morato, administrada pela Fundação Boticário. A reserva conta com dois mil hectares.
O diretor do departamento de Biodiversidade de Áreas Protegidas do Instituto Ambiental do Paraná (IAP), José Tadeu Mota, disse que o Estado está tentando dotar as áreas de preservação ambiental com uma infra-estrutura mínima. Elas foram instituídas em governos passados e muitas ainda não possuem esta estrutura.
Ele explicou que a fiscalização é feita pelas regionais do IAP, através das gerências dos parques, pela Polícia Florestal e pelas ONGs ambientalistas. Estamos também realizando estudos para ampliar as florestas de Araucárias, garantiu Borges. Ele informou que atualmente apenas 8% do Estado está coberto por florestas. Originalmente tínhamos 70% de cobertura vegetal.


