Matar aula é 'haram'
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quarta-feira, 13 de março de 2002
Adriana De Cunto 
Adriana De Cunto
Londrina No anfiteatro da escola, um cientista fala aos estudantes sobre pesquisa genética. Apesar da linguagem didática do palestrante e do olhar atento da professora de biologia, disfarçadamente, um grupo de alunos deixa a sala. Eles correm por um corredor e sentam-se na quadra de esporte.
Que conversa sem pé nem cabeça, brother, desabafa Pedro. O garoto, de 16 anos, usa bermudão jeans, camiseta branca e boné azul marinho.
Será que a dona Maria Luísa percebeu que saímos? Ela vive pegando no nosso pé. Se descobre, vai ser o maior haram, preocupa-se Ana Maria, calça jeans, tamanco de salto alto e anel da Jade no dedo.
Com certeza! Você acredita que ontem ela me disse que a gente não sabe nem conversar e que o nosso vocabulário é de televisão, reclama Fernando.
A ofensa gera protestos do grupo:
É brinquedo não!
E tem mais, brothers. Ainda disse que somos incapazes de dizer uma frase sem uma gíria de TV.
Fala sério! Voltaram a protestar.
Cinco minutos depois, mais um grupinho deixa a palestra e corre em direção à quadra de esportes.
Salam, dizem os recém-chegados.
Não sei porque a dona Maria Luisa reclama. Se não fosse a novela das 8, nem saberíamos um pouco de árabe. Essa mulher é muito punk, dispara Ana Maria.
Pedro tenta acalmar a colega:
Não gaste o seu latim para falar mal da professora. A moda agora é xingar colocando Pii no lugar do palavrão. Como no Big Brother.
Show de bola! Eu vou aproveitar para xingar bastante aquela professora Pii, que não pára de falar daquele Pii de DNA.
Ela bem que poderia ir trabalhar no tal de Pii do Projeto Genoma, resmunga Pedro. Quando Ana Maria pergunta o que é o Projeto Genoma, Pedro brinca: Jamanta não sabe.
Mais 10 minutos e outra adolescente se junta ao grupo avisando que a palestra acabou. Alá akbar, gritam. Logo depois, a professora passa pelo grupo em direção à saída da escola e recebe uma despedida orquestrada dos alunos:
Saúde e paz. O resto, a gente corre atrás.
Para quem não acompanha a novela O Clone: haram (pecado), salam (paz) e Alá akbar (Deus é grande)


