Peritos da Polícia Civil de Umuarama encontraram ontem três projéteis de armas diferentes na casa do líder sem-terra Celso Anghinoni, onde o irmão dele, Eduardo, 30 anos, foi morto na noite de terça-feira, em Querência do Norte (113 quilômetros a noroeste de Paranavaí). Foram encontrados dois projéteis de calibre 38 e um de pistola 9 milímetros ou similar. O delegado-chefe da 8ª Subdivisão Policial de Paranavaí, Luiz Norberto Canhoto, designado pelo comando da Polícia Civil para apurar a morte do sem-terra, disse que ontem a equipe de investigadores iniciou um trabalho nos portos da região.
A polícia quer confirmar se na noite do crime, algum veículo ou pessoas desconhecidas e suspeitas atravessaram nas balsas para o Mato Grosso do Sul. ‘‘Não conseguimos avançar nada, apenas que duas armas foram usadas no crime’’, disse ontem Canhoto. Ele explica que, apesar de haver duas armas, pode ser que apenas uma pessoa tenha cometido o crime. Outro dado levantado pela polícia é que vizinhos ouviram veículos na estrada de acesso à propriedade de Celso, mas não chegaram a ver que tipo de carro era.
Na próxima segunda-feira, Canhoto começará a ouvir familiares da vítima, que estão em Medianeira, onde o corpo foi enterrado (leia texto ao lado). O delegado pretende ouvir também lideranças do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST), e acampados da Fazenda Florão, onde Eduardo chegou a se instalar por alguns dias.
Eduardo estava em Querência há um mês, em busca de oportunidade como sem-terra. Na terça-feira ele chegou de Medianeira, onde mora a mulher e os pais dele e de Celso, e se reuniu com os irmãos até por volta das 21 horas. Cerca de uma hora depois, quando estava na sala com o irmão, a cunhada e dois sobrinhos, foi atingido por cinco disparos feitos pela janela. Eduardo morreu a caminho do hospital, em Paranavaí.

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