O detento Flávio Cruz, principal suspeito de ter matado um policial civil no domingo, foi assassinado a tiros na madrugada de ontem dentro da Delegacia de Furtos e Roubos de Veículos, onde estava preso. O delegado geral da Polícia Civil, Newton Rocha, admite a possibilidade de o crime ter sido cometido por policiais em vingança pela morte do investigador do 9º Distrito Jonathan Ferreira, 38 anos, ocorrida 25h30 antes.
O assassinato de Cruz ocorreu por volta das 3 horas da manhã de ontem. Mais de 20 homens encapuzados invadiram a Delegacia de Furtos e Roubos de Veículos, de pose de armamentos pesados. Fizeram diversos disparos, mas apenas duas balas foram retiradas do corpo de Cruz pelos legistas do Instituto Médico Legal (IML). Outras tantas ficaram no chão da cela.
O IML não divulgou quandos projéteis atravessaram o corpo do detento. Segundo um funcionário do instituto, cujo primeiro nome é Marcelo, a chefe do necrotério, Marilda Guimarães, se recusou a dar informações até o inquérito ser concluído - a atitude contraria a prática do IML, que costuma fornecer informações. Além disso, o próprio diretor do órgão, Francisco Moraes da Silva, depois de ligeira entrevista, havia pedido a Folha que procurasse Marilda, da qual se obteria mais dados.
Apesar da segurança da delegacia ter sido reforçada ontem, com pelo menos quatro homens, os encapuzados entraram com relativa facilidade. Um homem bateu à porta da delegacia, fingindo ser uma vítima. Quando a porta foi aberta, os demais invadiram o local e renderam os seis policiais. Além dos três agentes da delegacia, haviam outros três do Centro de Operações Especiais (Cope).
Os seis policiais foram ameçados, entregaram as chaves das celas onde estavam os acusados da morte de Ferreira e, depois, foram trancados numa das alas de carceragem. Além de Cruz, estava preso Reni Feliciano de Almeida, 20 anos, acusado de também ter participado da morte do policial. Os dois estavam em celas independentes e separadas dos outros presos. O alvo do tiroteio foi apenas Cruz. Almeida continua preso na mesma delegacia.
Os delegados Leila Bertolini e Hamilton da Paz foram designados para investigar as mortes. Newton Rocha também pediu a indicação de dois promotores de Justiça para ajudar no esclarecimento do caso.
O começo - Flávio Cruz foi capturado no domingo e confessou ter disparado três tiros em direção a Ferreira. O policial teria sido chamado pelo filho, por volta da 1h30 da madrugada, para resolver uma briga numa festa que ocorria em sua vizinhança, no Pinheirinho. Ferreira foi atingido no abdomem por uma bala hidrochoque da arma GG 380, um dos últimos lançamentos da Imbel (Indústria de Materiais Bélicos). Ele morreu às 4 horas da manhã de domingo.
Lourival da Silva Vieira, 35 anos, e Arnaldo Feliciano de Almeida, 24 anos, também participaram do confronto com o policial, estão foragidos. Todos os quatro têm passagens policiais.

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