Mata será um parque ecológico modelo
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terça-feira, 14 de outubro de 1997
Luciane Tonon Cornélio Procópio 
Arquivo FolhaPotencialA Mata
São
Francisco,
em Santa
Mariana:
transformação
em parque
modelo até
o final
do mês,
segundo o
Instituto
Ambiental
do ParanáA mata São Francisco, localizada em Santa Mariana (16 km a leste de Cornélio Procópio), deverá ser transformada até o fim do mês em um parque ecológico modelo no Estado. A mata foi comprada no final de setembro pelo Grupo Votorantim, que assumiu as hidrelétricas Canoas 1 e 2 em Andirá e Itambaracá. A avaliação, feita pela Companhia Energética de São Paulo (CESP), foi de R$ 2,5 milhões.
Com a transação concluída, a mata será doada ao Estado para tombamento e transformação em parque ecológico, como parte das medidas compensatórias pelos danos ambientais causados pelas hidrelétricas, sobretudo na área de 3,8 mil hectares, dos quais 80% de terras produtivas, que será alagada.
O superintendente regional do Instituto Ambiental do Paraná (IAP), José Carlos Bruno de Oliveira, esteve anteontem com líderes do grupo ecológico Vida Verde para fazer esclarecimentos sobre as negociações da mata. Oliveira informou que a São Francisco é a maior unidade de conservação do Norte do Paraná e a partir de agora será o maior parque ecológico da região.
A São Francisco tem 824 hectares de mata nativa e conta com 35 famílias botânicas, sendo 63 gêneros e 70 espécies diferentes. A fauna ainda está sendo pesquisada, mas o engenheiro florestal Astolpho Henrique de Tibúrcio de Vilhena garante que a área abriga centenas de espécies, inclusive aves exóticas e famílias de macacos em processo de extinção.
As pesquisas na São Francisco foram paralisadas em 1995, quando também foram interrompidas as negociações de venda da mata. Para concluir o estudo da área, o grupo Vida Verde recebe verbas da empresa GTZ, da Alemanha, e da fundação OBoticário, além de acompanhamento técnico da Fundação Faculdade de Agronomia Luiz Meneghel, de Bandeirantes.
Segundo a presidente do grupo, Margit Boye, a reserva poderá se tornar uma verdadeira escola ambiental na região. O tombamento desta mata é uma conquista de mais de 10 anos de luta, disse. Boye conta que houve envolvimento de muitas pessoas para que a área fosse preservada. A começar pela família Bilac Pinto, proprietária da área, que não fez o desmatamento no local; depois com o IAP impedindo o corte das árvores e por fim o envolvimento do próprio Vida Verde, que teve suas atividades iniciadas ali, relembrou.
Boye disse que em 1991 foi assinado um protocolo estipulando prazo, até fevereiro de 94, para efetivar a compra da área. Em 1995, com a mudança de governos, as negociações foram interrompidas, inclusive fomos impedidos de entrar na mata para continuar as pesquisas, acrescentou a presidente. Mas, segundo ela, há dois anos um decreto transformou a área em um parque estadual. Mas até hoje não tinha saído do papel.
Sobre as medidas compensatórias pela construção de usinas, membros do Vida Verde alertam que deve haver análise antes das propostas ser aceitas. O rio Paranapanema está com o potencial fechado, restando somente as hidrelétricas Canoas 1 e 2, por isso não houve restrições para negociar a mata São Francisco, explicou o engenheiro Florestal Vilhena, integrante do grupo. Já o rio Tibagi, conforme o engenheiro, ainda apresenta grande potencial. Mas, segundo ele, faltam critérios para a construção de hidrelétricas nesse rio.
Ambientalistas criticam que o Tibagi está sendo avaliado, através de relatórios de impacto ambiental (Rima), para a construção de uma usina, em Jataizinho, quando na verdade serão sete. Não somos contra hidrelétricas, mas desde que sejam feitas com critérios. O ambientalista não pode ser contra o progresso e sim contra o desrespeito ao meio ambiente, afirmou.


