Mata perto de usina é monitorada
Num estudo inédito, a usina hidrelétrica de Salto Caxias vai servir de laboratório para quatro técnicos da Fundação de Pesquisas Florestais da Universidade Federal do Paraná (FUPEF). Eles vão observar por cinco anos o impacto ambiental provocado pela usina, que está sendo construída no município de Capitão Leônidas Marques. O resultado do trabalho será usado para minimizar eventuais reflexos negativos que a usina possa causar na vegetação e no solo.
Será a primeira oportunidade que os técnicos terão no Paraná para acompanhar o processo de mudanças na natureza antes e depois do funcionamento de uma usina. Poderemos ter uma idéia de como a vegetação era e de que forma irá ficar após a usina começar a gerar energia elétrica, descreve o técnico responsável pelo projeto, o engenheiro florestal Paulo de Tarso Pires. A idéia é saber quais as espécies que terão o crescimento alterado e aquelas que vão oferecer maior ou menor resistência diante da formação de um reservatório de 141 quilômetros quadrados.
A gente sabe que vai haver alteração, mas queremos ter uma leitura do grau e da forma que essas mudanças vão ocorrer, explica Paulo de Tarso. As análises começaram em julho. A primeira resposta deverá ser obtida em três anos. As amostras estão sendo coletadas em quatro pontos: o primeiro próximo a usina e os outros três perto dos rios Jaracatiá e Chopin e entre os rios Adelaide e Tormenta. Todos são afluentes do Rio Iguaçu.
O trabalho da FUPEF consiste na medição e remedição das vegetações e análises em laboratório de pedaços do solo. As principais espécies de árvores a serem observadas serão a araucária, peroba, pau-marfim, palmito, canela e guajuvira. Precisamos diminuir ao máximo os impactos que uma obra como esta pode provocar. Sabemos que sempre vai haver prejuízo, mas podemos fornecer às autoridades informações para acompanhar o processo de forma mais clara, diz Paulo de Tarso. Para ele, com os dados científicos obtidos no estudo será possível ajudar outros pesquisadores e embasar novas leis de proteção ambiental.Arquivo FolhaVegetação e solo das margens da usina serão monitorados durante cinco anos, para verificar o impacto ambiental do represamento da água sobre o ambienteDimitri do Valle





