César AugustoCaminho verdeA trilha interpretativa que é percorrida pelos visitantes da mata: um mundo totalmente diferente Um exemplo raro da natureza nativa que habitava toda o Norte do Paraná antes da devastação iniciada no começo deste século. Assim podem ser definidos os 675,7 hectares do parque estadual Mata dos Godoy, localizado a 14 quilômetros do centro de Londrina. O parque, que hoje é administrado pelo Instituto Ambiental do Paraná (IAP), foi criado em 5 de junho de 1989 está aberto a visitação pública somente em junho do ano passado.
No local, o visitante - ou ecoturista, como preferir - vai poder passar por trilhas abertas dentro da mata e ter contato com espécies hoje praticamente extintas na região, como a peroba rosa, figueira, cedro, gurucaia, canafístula, palmito, etc. Também não é difícil observar uma grande variedade de pássaros e, com um pouco mais de sorte, todo o tipo de vida silvestre: o tamanduá, a anta, o cateto (porco-do-mato), a jaguatirica e o cachorro-do-mato, entre tantas outras.

César AugustoPatrimônioA entrada do parque estadual Mata dos Godoy: visitas desde 96O gerente da unidade de conservação da Mata dos Godoy, Geraldo Antônio Barbosa, explica que no período de aulas o parque recebe alunos às quartas, quintas e sextas-feiras, que percorrem cerca de 1,5 quilômetros da chamada ‘‘trilha interpretativa’’. Metade deste percurso é formado exclusivamente por mata nativa e a outra metade por uma das ações de reflorestamento que o IAP desenvolve no local, o projeto Madeira.

Velha senhoraA figueira centenária: atraçãoAlém de alunos das escolas da Cidade, qualquer pessoa também pode organizar um grupo e agendar uma visita para percorrer a trilha. ‘‘Nós temos um grupo de estagiários da UEL (Universidade Estadual de Londrina), estudantes de Geografia e Biologia, que são monitores e acompanham os grupos. Eles identificam as espécies e principalmente mostram a diferença entre uma mata nativa e uma mata plantada’’, diz o gerente de conservação da Mata.
Partindo de uma base conhecida como ‘‘choupana’’, o turista de primeira viagem é alertado pelos monitores sobre a viagem que virá a seguir, por dentro de uma área ainda não transformada pela ação do homem. ‘‘Aqui nós chamamos a atenção dos alunos: lá dentro, o mundo que eles vão encontrar é completamente diferente do que eles conhecem’’, observa Barbosa.
E não é por menos: logo nos primeiros metros de caminhada o turista vai encontrar uma figueira branca no mínimo centenária e que surpreende pelo tamanho, estrutura das raízes - que partindo da base avança mata adentro - e, finalmente, pelo conjunto plástico tanto incomum quanto perfeito. ‘‘Recebemos muitos estudantes estrangeiros, que vem da Alemanha, Japão, França, e que ficam encantados quando vêem essa figueira e também outras árvores da trilha’’, diz Barbosa.
À medida que o passeio avança, as surpresas vão aparecendo. Uma das atrações é uma peroba rosa, também centenária, que pela avaliação de Barbosa deve ter pelo menos trinta metros de altura. Depois dela, surge na trilha uma imensa peroba caída há dezenas de anos, provavelmente pela própria idade avançada. Ela se encontra hoje com o tronco oco, que virou abrigo de animais silvestres durante a noite. É possível observar de uma extremidade a outra por dentro dela.
Além da ‘‘trilha interpretativa’’, o Parque também reserva para os finais de semana a ‘‘trilha Álvaro de Godoy’’ - nome dado em homenagem ao ex-proprietário da área e que até o último dia de vida lutou pela sua preservação.

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