Mata de assentamento é devastada
Paulo Pegoraro
De Cascavel
O Instituto Ambiental do Paraná (IAP), com apoio da Polícia Florestal, interditou serrarias no município de Verê (26 km a norte de Francisco Beltrão). Em uma delas, foram encontrados 170 metros cúbicos de toras de madeiras nobres, como cedro, angico e canela. A multa foi de R$ 50 mil. O chefe do IAP em Francisco Beltrão, José Wilson Carvalho, disse que foi a 14ª multa aplicada contra a mesma madeireira, que teve suas serras lacradas.
Nos últimos dez dias, foram interditadas três madeireiras na região, em todos os casos com toras extraídas no Assentamento Marcos Freire, em Rio Bonito do Iguaçu (125 km a oeste de Guarapuava), onde estão aproximadamente 500 famílias que ocuparam terras há quatro anos. A área, de 10 mil hectares, que era propriedade da empresa madeireira e agropecuária Araupel, de Quedas do Iguaçu, acabou sendo desapropriada pelo Incra, mas até agora não houve a regularização do assentamento.
Enfrentando dificuldades financeiras, inclusive sem acesso a crédito bancário, muitos sem-terra acabam vendendo árvores para madeireiras. Antes da ocupação da área havia grandes extensões de matas virgens, mas o corte e um grande incêndio no ano passado, provocaram grande devastação. O chefe do IAP em Guarapuava, Celso Araújo, disse que até mesmo árvores de espécies nobres e talvez com a idade do Brasil têm sido derrubadas.
Nas ações mais recentes dos fiscais do IAP contra serrarias e transportadores, foram encontradas aproximadamente 800 toras, já nas madeireiras ou em cima de caminhões. Os implicados no crime ambiental respondem processos movidos pelo Ministério Público. As toras são encaminhadas para instituições de caridade, que as comercializam, de acordo com o que é permitido pela legislação.





