Elisa Marilia Carneiro
O equivalente a um campo de futebol da Mata Atlântica é destruído a cada quatro minutos no Brasil. Numa tentativa de alertar a população, a partir das crianças, a Fundação SOS Mata Atlântica montou uma Minifloresta em parceria com a Sorriso Herbal, no Shopping Curitiba, para exercitar a educação ambiental. A projeto já foi lançado em São Paulo e irá para outras 11 cidades. Em cada uma, permanecerá durante 15 dias.
‘‘Estamos apelando, saindo dos guetos ambientalistas para tentar alguma mobilização. Se continuar a devastação não teremos mais Mata Atlântica em 50 anos’’, reconhece o diretor da SOS Mata Atlântica Mário Mantovani. Enquanto as crianças ficavam entretidas ouvindo uma história sobre a devastação e o que é a Mata, os pais prestavam atenção numa palestra sobre o mesmo tema.
‘‘Para nós, os 500 anos do Descobrimento serão de ‘descomemoração’. Estamos preparando peças publicitárias em vídeo e rádio. A intenção é transformar a história da destruição em responsabilidade social’’, alerta Mantovani. ‘‘Os cerrados, a Amazônia e o Pantanal poderão ter o mesmo destino da Mata Atlântica.’’
De um milhão e 290 mil quilômetros quadrados de Mata na época do descobrimento, restam apenas 7% - espalhados. A maior devastação não ocorreu nos ciclos do café, mas atualmente, e com maior velocidade. ‘‘Para se ter uma idéia da grandiosidade da Mata Atlântica, podemos citar que é o segundo mais importante ecossistema no mundo. Só perde para Madagascar. Ganhamos da Amazônia e estamos falando do quintal da nossa casa. A Mata Atlântica é aqui.’’
Exemplificando, Mantovani informa que numa área de 2% do planeta está contido o código genético da nossa flora. E esse local é justamente a Mata Atlântica. No sul da Bahia, há locais em que estão concentradas 456 espécies arbóreas por hectare. Na Europa, onde existe mais, são 22 espécies.
Para dar noção da importância desse patrimônio, cerca de 50% das cidades da região são abastecidas com a água captada da Mata Atlântica. ‘‘Mas São Paulo já está diluindo esgoto para beber’’, afirma Mantovani. ‘‘Guarapiranga (SP) está consumindo 360 milhões de dólares para recuperar uma única represa.’’
Tudo isso para preservar um patrimônio que é da Humanidade.‘‘Cerca de 50% da área que foi desmatada em São Paulo e no Paraná está abandonada e erodindo. Para recuperar um hectare desses locais devastados, gastaríamos cerca de R$ 15 mil’’, lembra Mantovani. ‘‘Se não tivemos uma política séria, aprovando a Lei Florestal, vamos perder 360 milhões de dólares que vão ser doados pelo países componentes do G7, para projetos de preservação das florestas tropicais. A Lei Florestal é uma questão de soberania nacional. Não decidir esta causa é passar um atestado de incompetência.’’

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