Massacre no Rio terá investigação federal
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domingo, 03 de abril de 2005
Folhapress 
Brasília, DF - O governo federal enviará, nos próximos dias, 400 a 600 homens da Força Nacional ao Rio de Janeiro para atuar nas investigações do massacre de 30 pessoas em Queimados e Nova Iguaçu, na última quinta-feira.
Além dos dois policiais militares que estão presos provisoriamente por suspeita de participação na chacina, o ministro Márcio Thomaz Bastos (Justiça) anunciou que outros dois PMs, também com prisão temporária decretada, seriam detidos ainda na tarde de ontem.
Os quatro policiais foram reconhecidos por uma testemunha que se apresentou à Polícia Federal e que já está sob rigorosa proteção. O ministro explicou que a prisão temporária dos quatro vale por 30 dias porque o crime é hediondo.
A Força Nacional aguarda apenas os últimos preparativos no quartel do Bope, onde ficarão baseados para se deslocar ao Rio. A Polícia Federal, que já abriu inquérito, atua no caso com as autoridades locais. O ministro não detalhou como será a atuação da Força Nacional.
Ele esteve com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva ontem à tarde para dar informações sobre a investigação. Lula voltou a pedir empenho. Thomaz Bastos reafirmou que a indignação gerada pelo crime se traduzirá no mais amplo esforço das autoridades federais.
Uma chacina dessa proporção, com esse aspecto de gratuidade, só se explica pelo desafio ao Estado. As pessoas queriam mostrar que elas não têm medo do Estado. A única solução possível é decifrar o crime e fazer desse crime um crime com castigo, disse o ministro.
Ele não informou se há outros suspeitos além dos quatro já identificados pela testemunha. Porém, avalia que o interrogatório deles dará pistas importantes para o seguimento da investigação.
Não se pode dizer que o crime esteja desvendado, disse. Porém, afirmou que o trabalho conjunto dos governos federal e estadual fará com que os autores e os executores da chacina sejam identificados e presos em curto prazo. Citou como exemplos do novo padrão de atuação conjunta das polícias os casos de Unaí (chacina de quatro servidores do Ministério do Trabalho na cidade mineira em 2004), Felisburgo (chacina de cinco sem-terra em Felisburgo, Vale do Jequitinhonha, em 2004) e o assassinato da missionária Dorothy Stang no Pará no começo deste ano.


