Máscaras para evitar mau cheiro de pombas
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quarta-feira, 01 de maio de 2013
Vítor Ogawa<br>Reportagem Local 
Calçadas sujas com fezes de pombo, sol forte e muita circulação de carros e pedestres. Essa é uma combinação que deixa qualquer um com dor de cabeça. Para evitar esse tipo de problema, alguns fiscais da Zona Azul que trabalham próximos ao Bosque Central de Londrina estão usando máscaras. Segundo o supervisor da Zona Azul (responsável pelo estacionamento rotativo), Élton Luiz Ferreira, a adoção das máscaras foi mais por precaução, já que no local há muita sujeira de pombo e poeira. "O cheiro está horrível", reclamou.
Os fiscais ficam no local cinco horas seguidas, o que provoca um desconforto acentuado diante de tamanha sujeira. De acordo com Ferreira, a Escola Profissional e Social do Menor de Londrina (Epesmel), responsável pela administração da Zona Azul, fornece as máscaras aos funcionários, mas nem todos se dispõem a usá-las.
Para a fiscal Jéssica Camila de Oliveira o uso da máscara é muito importante para prevenir doenças como a criptococose. "Deveriam tomar uma providência, pois o cheiro está horrível e está difícil de trabalhar. Usar essas máscaras não é a melhor maneira de lidar com o problema, mas no momento é o que dispomos", disse. "Todo esse pó que vem das fezes das pombas faz mal para a saúde da gente", reclamou outra fiscal, Karen Valério dos Santos, informando que tem rinite.
Motoristas que estacionam no local também se sentem incomodados. A professora Andréa Moraes Mizuta reclamou do mau cheiro, principalmente em dias de chuva. "Há quantos anos a gente ouve falar sobre o problema e ninguém toma providência alguma?"
Entre os pedestres a reclamação também é intensa. O agricultor Celso Mondek de Barros destacou que o pessoal da Zona Azul faz bem em adotar as máscaras. "Quando passo por aqui sinto esse cheiro horrível." Edy dos Santos, uma servidora pública aposentada com 77 anos de idade, contou que já escorregou na sujeira que as pombas fazem.
No dia 23 de março deste ano o taxista Sidney José da Silva, de 47 anos, morreu por infecção generalizada no Hospital Universitário (HU), causada por sepse fúngica causada por criptococose disseminada, que pode ter origem nas fezes das pombas.
O médico veterinário da Vigilância Sanitária e membro da Comissão de Controle de Pombos de Londrina, Valmor Venturini, afirmou que a criptococose não é encontrada apenas em pombas, mas em todas as aves, no solo e em madeiras. "É preciso desmistificar que a criptococose vem apenas dos pombos", ressaltou.
Ele foi um dos participantes da reunião realizada no início do mês, para discutir o problema da superpopulação das aves na cidade. Segundo Venturini, , de antemão, já foi descartado o uso de bombas para afugentar os pássaros e o de uma espécie de pó repelente, pois essas substância não é seletiva e afugentaria outras espécies.
"Entre as sugestões feitas durante a reunião foram colocadas entre as prioridades a limpeza do Bosque, o reprocessamento da água utilizada na limpeza das calçadas e o uso de predadores naturais para coibir as pombas. Por enquanto nós congelamos a alternativa de abate das pombas", afirmou Venturini. Ele relatou que o a comissão têm ciência de que a superpopulação de pombas é causada por um desequilíbrio ambiental e que é preciso dar uma solução a esse problema. Ainda não há uma data para a próxima reunião.
A reportagem procurou por dois dias o secretário municipal do Ambiente, Cleuber Brito, mas o celular estava desligado.


