Utilizar os serviços dos Correios virou um verdadeiro martírio para os moradores dos distritos rurais de Londrina. Desde o final do ano passado, dois funcionários se desdobram para dar conta do serviço nos postos montados em Irerê, Paiquerê, Guaravera e Lerroville. O problema é que são apenas duas pessoas para atender uma população aproximada de 18 mil pessoas, de acordo com dados referentes ao ano de 2000, constantes no site oficial do município.
A mesma equipe atende duas vezes por semana em cada distrito, durante três horas. O tempo de atendimento é insuficiente, e muitos moradores voltam para casa sem conseguir receber suas correspondências e pagar as contas em dia. ''É pouco tempo, eles (funcionários) precisavam vir mais dias para cá e atender o dia inteiro. Para quem trabalha o dia todo ou mora nas propriedades rurais é ainda mais complicado. Às vezes quando a gente consegue chegar aqui a fila já está tão grande que não dá tempo da gente ser atendido'', diz a professora Áurea Martinez. Graças a uma folga no trabalho, ela pôde ir até a agência ontem à tarde (quinta-feira), e era uma das 40 pessoas que aguardavam na fila por volta das 14 horas, no distrito de Guaravera.
A agência, instalada em um pequeno cômodo (feito aparentemente para abrigar um bar) no terminal de ônibus da localidade, só funciona às terças e quintas-feiras, das 13h30 às 16h30. Os moradores contam que ao meio-dia já tem gente na fila, para garantir o atendimento. ''Isso está pior do que fila de banco e do INSS. Se pelo menos eles distribuíssem senha, a gente podia ter certeza que ia ou não ser atendida'', reforça a diarista Alexandra Ribeiro do Nascimento.
O funcionário público Ademir Pereira revela que pagar juros por atrasos virou rotina. ''Está muito complicado porque o banco só fica aberto das 9 às 14 horas. Já o correio abre às 13h30. Quer dizer, quando a gente consegue pegar o boleto para pagamento, o banco já está fechado. Aí, é encarar os juros ou correr para Londrina (distante 44 quilômetros) para pagar'', detalha Pereira.
Até abril do ano passado as correspondências dos cerca de 5 mil habitantes do distrito eram recebidas e distribuídas pela comerciante Margarida Aparecida de Oliveira, que tem um bazar nas proximidades de onde hoje funciona o posto de atendimento. ''O malote chegava três vezes por semana, a gente separava e as pessoas vinham buscar, todos os dias de manhã. Funcionou assim durante cinco anos, e era melhor porque as pessoas podiam pegar as correspondências diariamente'', informa a comerciante.
Segundo a assessoria de imprensa dos Correios, o problema vem ocorrendo em vários distritos rurais do País por falta de entidades públicas interessadas em firmar parceria com a estatal para a instalação de agências comunitárias (neste modelo, os municípios entram com prédio e funcionários, e os Correios com treinamento, transporte, materiais e pagam pelo serviço ao município). Uma determinação do Tribunal de Contas da União (TCU) impediria as parcerias para instalação de agências comunitárias com empresas privadas.
Os Correios argumentam que em várias localidades, entre elas os distritos de Londrina, a única parceria possível seria com as prefeituras, que não se mostraram interessadas. Por isso, o atendimento nestes locais vem sendo feito de maneira provisória, fora do padrão da estatal, até que uma solução seja encontrada. Segundo os Correios, instalar agências convencionais nestes locais não é viável financeiramente.
O chefe de gabinete da prefeitura de Londrina, Rodne Lima, lembra que a obrigação do seviço postal no País é dos Correios, que detém o monopólio da atividade. ''O problema é que eles estão restringindo o atendimento nos locais não considerados viáveis economicamente, esquecendo que Londrina, como um todo, é bastante viável e os lucros do núcleo urbano deveriam compensar os distritos.''
Ele também contesta a informação de que o TCU proíbe parcerias com a iniciativa privada. ''Desde que seja aberto processo licitário estas parcerias são possíveis sim. Um exemplo são as franquias dos Correios instaladas na cidade.'' Para Lima o município de Londrina já está fazendo mais do que sua parte, ao ceder os espaços onde estão funcionando atualmente os postos de atendimento das comunidades rurais.

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