Marquise estava condenada, afirma perito
PUBLICAÇÃO
segunda-feira, 20 de fevereiro de 2006
Luciano Augusto<br> Reportagem Local 
A queda da marquise na Universidade Estadual de Londrina, (UEL), que aconteceu no dia 12 de fevereiro, era uma questão de tempo. A afirmação édo perito do Instituto de Criminalística, Luiz Noboru. Ele revelou ontem que a investigação feita até agora constatou que a estrutura que desabou no anfiteatro do Centro de Estudos Sociais Aplicados (Cesa) apresentava conflitos entre projetos e problemas sérios de infiltração e que, pelo menos este último defeito, poderia ter sido detectado durante o serviço de conservação do prédio. O desabamento provocou a morte de dois estudantes de Ribeirão Preto (SP) e ferimentos em outros 22. Todos participariam de um congresso de Zoologia na instituição.
''A marquise estava condenada e poderia cair a qualquer momento'', sentenciou o perito. De acordo com Noboru, uma somatória de fatores concorreu para que a estrutura, que pesava 16 toneladas, se deteriorasse. Pelo menos dois deles já foram detectados pelo trabalho de perícia e divulgados ontem. ''Foi uma somatização de erros, tanto de conflito entre projetos quanto na parte de execução da obra'', completou.
Ele explicou que, mesmo sendo prevista, a construção de grelhas para escoamento de água da chuva nas ''células'' que compunham a parte superior da marquise acabou não sendo realizada. Sem escoamento, a água se acumulou, provocando infiltração que comprometeu sobretudo a parte da frente da marquise. ''Tanto que foi essa parte que caiu primeiro'', observou Noboru.
Ele comentou que pelo menos o problema da infiltração poderia ter sido detectado durante inspeções de conservação. Mesmo diante dessas conclusões, o perito do IC preferiu dizer que o trabalho de investigação continua. ''Já conhecemos alguns dos indícios. Agora, estamos apurando se podem existir outros'', destacou.
Ontem, a perícia se concentrou no subsolo, especificamente nas estacas que davam sustentação ao pilar que suportava a marquise. Elas tinham função estrutural e também podem ter contribuído para a queda. Outro foco dos peritos são as vigas existentes entre a parede do anfiteatro e a marquise.
Até o final de semana, os peritos do IC pretendem concluir as investigações no local do desabamento. Na sequência, devem iniciar os exames laboratoriais nos materiais usados na obra. O laudo com as conclusões definitivas não deve ficar pronto antes da segunda semana de março.
A Folha procurou por telefone ontem o arquiteto responsável pela execução do anfiteatro, Wladmir Luiz Refosco, mas não conseguiu localizá-lo até o fechamento desta edição. Em entrevista na semana passada, ele assegurou que o projeto foi cumprido à risca. ''Fomos contratados exclusivamente para a execução e isso eu garanto que foi realizado da forma correta'', disse na ocasião. O prefeito do campus, Laerte Matias, alegou que não poderia comentar as conclusões do perito neste momento.


