Marquinho vive no mundo da violência
Marquinho vive no mundo da violência Paulo Ubiratan De Londrina Marquinho (nome fictício) tem 15 anos, vive nas ruas, é viciado em drogas e já praticou furtos. Ele era amigo do Japonês Preto, morto com um tiro na cabeça quando tinha 16 anos, em Arapongas. Japonês Preto teria sido assassinado, há quatro anos, porque negou um cigarro a um outro garoto conhecido por Rubinho, na época com 13 anos. Marquinho conta que viu o crime. Segundo ele, Rubinho fugiu após matar o colega e nunca mais foi encontrado. Ele revelou que no dia do crime, viajou com Japonês e Rubinho de Londrina até Arapongas de carona em um caminhão. O trio pretendia assaltar um supermercado. No entanto, cheiraram tanta cocaína que acabaram brigando entre eles. Há alguns anos, Marquinho, Japonês Preto e Rubinho eram conhecidos como os meninos de rua mais bandidos de Londrina. A fama foi dada na época pela própria Polícia Militar (PM), para justificar a truculência que usava contra eles. Marquinho conta que a maior vítima dos policiais era sempre o Japonês, porque era preto e reclamava quando era injustiçado. Cansei de ver os policiais se divertirem enfiando a cabeça do Japa na privada cheia de cocô, afirma. Eu e o Rubinho somente apanhávamos, pois não reclamávamos dos policiais. O Japa até que era uma pessoa boa pelo tanto que sofreu na vida. Segundo Marquinho, os três moravam na rua desde que eram crianças. Nenhum deles conheceu os pais. Viveram em casas de parentes extremamentes pobres que depois de um tempo não aguentaram mais criá-los. Angustiado, Marquinho desabafou, dizendo que nunca ninguém lhe pronunciou uma palavra de incentivo, de carinho ou de respeito. Somente dizem para eu sair das drogas, para eu não roubar e ser um cara legal, observa. De que jeito vou ser uma cara legal? Nem sei porque estou falando tudo isto, pois já me disseram que terei o mesmo fim do Japa. Quer saber de uma coisa? Deixa isto prá lá. Deixa ficar como está.





