Marista amplia serviços na Escola Oficina
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quarta-feira, 17 de dezembro de 2003
Vanessa Navarro<br>Reportagem Local 
Centro Social Marista. O futuro nome da atual Escola Oficina, no Conjunto João Paz (Zona Norte de Londrina), dá uma idéia das mudanças significativas que serão implementadas na entidade, cuja administração será transferida do Município para os Irmãos Marista. A medida será oficializada amanhã, com a assinatura de um termo de compromisso entre representantes da Secretaria Municipal de Assistência Social e da Associação Brasileira de Educação e Cultura (ABEC), mantida pelos Marista.
É uma nova etapa na conturbada história da Escola Oficina, cujo foco original era a profissionalização de jovens infratores da região Norte. Em setembro, o Município decidiu encampar a entidade, após denúncias de irregularidades contra a antiga mantenedora, a Associação da Criança e do Adolescente de Londrina (Acalon). A transição foi tensa, passando por atos de vandalismo dos alunos e protestos dos pais.
A crise não deve se repetir com mais essa mudança, confia o diretor-geral do Colégio Marista de Londrina, irmão Rogério Mateucci. ''Dificuldades, com certeza, teremos. Mas com jeito, carinho e amor vamos conquistar os adolescentes'', acredita. A secretária municipal de Assistência Social, Maria Luiza Rizotti, também não prevê resistência, já que os cerca de 30 alunos remanescentes do projeto anterior já foram encaminhados para outros projetos, como o Viva Vida. ''Após as reformas, os Maristas irão abrir novas inscrições. Pela primeira vez, a Escola estará absolutamente aberta para a região'', frisa.
A ampliação do público é uma das principais mudanças planejadas pelos Irmãos Maristas. O atendimento deixará de ser restrito a jovens infratores, podendo contemplar todos os jovens carentes, com idade entre 14 e 17 anos, que estejam matriculados no ensino formal. ''Nosso regime será de contraturno, trabalhando conteúdos como ética e cidadania com alunos que já estudam um período na rede normal de ensino'', aponta Mateucci. ''A meta inicial é atender entre 180 e 200 jovens, com a possibilidade de aumentar esse número. Em Maringá, onde temos um projeto semelhante, são 450 alunos'', ilustra.
O projeto pedagógico também inclui aulas de arte, esportes, oficinas de comunicação e acompanhamento escolar. ''Ainda não conhecemos o detalhamento da proposta, mas ela está dentro da orientação do Conselho Municipal dos Direitos da Criança e do Adolescente'', destaca Maria Luiza Rizotti. Com relação ao ensino profissionalizante, o diretor do Marista afirma que estão sendo feitas pesquisas de campo e discussões com lideranças da Zona Norte para definir áreas de trabalho prioritárias.
Uma delas seria a informática. Para isso, segundo Mateucci, uma parte do investimento previsto de R$200 mil será aplicado na compra de computadores. Os recursos, provenientes da ABEC, também serão usados na reforma e recuperação da estrutura física da Escola Oficina, cujo espaço ''é bom, grande, mas está deteriorado'', observa o diretor.
Ele prevê que as adaptações durem 60 dias. ''Em fevereiro, já deveremos iniciar os trabalhos'', afirma. O custo de manutenção do Centro Social Marista deverá ficar em torno de R$35 mil mensais. De acordo com a secretária de Assistência Social, a contrapartida do Município será de R$9.450.


