Maripá - Com 5.571 habitantes, Maripá (84 km ao norte de Cascavel) é uma cidade ímpar. Entre as particularidades, o prefeito trocou o carro oficial por uma bicicleta, há orquídeas plantadas em todas as árvores e uma das principais atrações turísticas é um arrancadão de tratores que começou com alguns moradores na avenida principal e hoje é realizado em um ''tratoródromo''.
Propagando o título de ''Cidade das Orquídeas'', Maripá faz das flores a sua principal atração turística. Tudo começou no início da década de 1990, quando uma professora da rede municipal promoveu uma gingana entre a garotada para ver quem plantava mais essa espécie no município. Hoje, 300 mil orquídeas estão ''hospedadas'' nas árvores de Maripá. A cada florada, que acontece em agosto, uma leva de turistas desembarca na cidade para a Festa da Orquídea e do Peixe. É isso mesmo, a produção de peixes - mais de mil toneladas de tilápia por ano - é o outro ponto forte do município.
''As crianças que plantaram as primeiras orquídeas nas árvores já são adultos. Na verdade, as flores são instrumentos de educação, pois quem as planta não se torna vândalo'', comenta o prefeito Henrique Deckmann, um missionário da Igreja Luterana que prefere voltar às suas missões do que tentar o segundo mandato. Por sinal, os luteranos são a maioria em Maripá. Fruto da colonização de alemães, que chegaram ao lugar quando ainda existia a Madeireira Rio Paraná (Maripá), empresa que acabou emprestando o nome à cidade.
Com orçamento de R$ 8 milhões por ano e uma preocupação constante com a educação, o município de apenas 16 anos tem o 5º melhor Índice de Desenvolvimento Humano (IDH) do Estado. A maior parte da receita vem da produção agrícola e de um parque industrial que aos poucos vai ficando mais forte. Mas a idéia é investir para valer em um tipo de indústria que não faz fumaça: o turismo.
A produção de orquídeas de Maripá é de 140 mil plantas por ano, mas a meta é chegar a um milhão, dessa forma atraindo ainda mais aficcionados pelas flores à cidade. Atualmente, eles já chegam aos montes, principalmente aos finais de semana. E mesmo quem não pode se deslocar até lá acaba comprando as flores maripaenses. O casal de irmãos Morgana e Elemar Stibbe vende três mil unidades por mês pela Internet.
''Recebemos encomendas de vários lugares. As plantas conseguem viajar por até 15 dias. Também fazemos cruzamentos para produzir novas variedades e atrair colecionadores. Já temos até a orquídea Maripá'', conta Morgana.
As flores encantaram o italiano Roberto Spandre, relações internacionais da Universidade de Piza (Itália), que está na Região Oeste desenvolvendo um convênio entre a instituição que representa e a Itaipu Binacional para estudar o potencial turístico da região. Na opinião dele, as flores estão entre os atrativos que podem trazer europeus ao Paraná. ''As pessoas da Itália querem saber como se cultiva orquídeas'', ressalta.
Oportunidades
Voltando a falar das curiosidades de Maripá, chama a atenção o fato de o prefeito ter sido chamado para explicar ao Ministério Público o motivo de o município distribuir uma quantidade pequena de bolsa-família. Atualmente, 71 famílias são beneficiadas pelo programa do Governo Federal. De acordo com o último censo deveriam ser 200. ''As pessoas estão tendo oportunidades e vão saindo da pobreza, com isso não precisam do benefício.''
E a criminalidade também é baixa. Nós últimos 10 anos, apenas um homicídio foi registrado em Maripá, segundo o sargento Carlos da Silva, um londrinense que comanda o policiamento da cidade. ''Os moradores estão em contato conosco o tempo todo, e denunciam, sem medo, qualquer irregularidade que notam'', comenta o sargento, que também comanda um projeto de recuperação de dependentes químicos em Maripá.

Serviço: Mais informações: www.cidadedasorquideas.com.br

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