Ney de SouzaFuzileiros navais do Rio de Janeiro e RS durante simulaçãoCerca de 150 fuzileiros navais do Rio de Janeiro e Rio Grande do Sul terminaram ontem em Foz do Iguaçu, fronteira entre Brasil, Paraguai e Argentina, a Operação Retrex, um exercício simulado, com a tomada de um prédio da Marinha por grupos guerrilheiros. O exercício assustou os paraguaios, que assistiram à operação no outro lado das margens do rio Paraná.
Um aparato de guerra foi mobilizado para acabar com o sequestro simulado, iniciado na madrugada de terça-feira. O uso de metralhadoras e armamentos de vários calibres nacionais e estrangeiros assustou as pessoas que passavam nas proximidades da Marinha e moradores da Favela Monsenhor Guilherme, a maior da cidade.
A partir da tomada do prédio, cinco marinheiros e uma funcionária foram tomados como reféns. Os ‘‘sequestradores’’ iniciaram de imediato as reivindicações. Entre elas, a presença da imprensa, a rendição dos marinheiros e a libertação de um ‘‘guerrilheiro’’ que estaria preso na Delegacia da Polícia Federal de Foz do Iguaçu.
A simulação foi tão realista que uma funcionária da Marinha desmaiou durante a operação. Os reféns ainda checaram a prisão na PF, que já estava avisada e confirmou a detenção do integrante do grupo guerrilheiro na delegacia de Foz. Eles queriam transformar a sede da Marinha, nas margens do rio Paraná, em um QG de guerrilheiros.
Ainda na madrugada, foram iniciadas as negociações entre os dois grupos. Equipes de psicólogos da Marinha tentaram a rendição, mas não houve acordo. Somente às 14h30 de ontem, o coordenador da operação, capitão de fragata Osmar Pedro da Cunha, autorizou a tomada forçada do prédio. Na operação simulada, ‘‘morreram’’ os quatro sequestradores e dois reféns. ‘‘O saldo foi positivo, apesar de nos mostrar que é preciso aperfeiçoamento’’, avaliou o coordenador.
Somente no final da operação, os marinheiros de Foz souberam que tratava-se de uma operação especial. Cunha informou que esse tipo de operação é uma rotina dentro da Marinha e que a fronteira não inspira preocupação. ‘‘É um treinamento das tropas para avaliação do preparo físico e psicológico frente a fatos como esse. Isso é um exemplo do que ocorre no Peru, onde o grupo Tupac Amaru tomou a Embaixada Japonesa há três meses’’, comparou.

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