O sargento da Marinha, José Tadeu Machado da Silva, 31 anos, promete entrar esta semana no Ministério Público para obter garantias de instalação de uma linha telefônica na casa de seus pais em Salto do Itararé (120 km ao sul de Londrina). Filho único, o marinheiro – residente no Rio de Janeiro – tenta prioridade na instalação há mais de dois anos, desde que seus pais mudaram para a cidade.
Muito doentes, sem condições de locomoção e de vida independente, José Machado da Silva, 65 anos, e Conceição Aparecida dos Santos, 63, precisam se comunicar através de telefones da vizinha com o filho. Quando está em serviço externos, viajando em expedições transoceânicas, o drama aumenta e os contatos são raros durante um semestre inteiro.
‘‘É muito triste ver meus colegas falando com os familiares a cada porto, matando as saudades. Fico angustiado sem saber se, quando voltar, encontrarei meus pais vivos’’, observa José Tadeu, lembrando que muitas vezes o contato internacional fracassa pois os vizinhos não estão em casa.
O casal de aposentados morava em Campinas (SP) até o início de 1998, quando decidiu mudar-se para a terra natal de Conceição, buscando tranquilidade e a casa própria, produto de herança. ‘‘Achei que o telefone seria apenas detalhe, uma questão de tempo. ‘Venderam’ a privatização como a solução de todos os problemas do setor. Hoje, sei que tudo não passa de propaganda. Estou muito decepcionado’’, diz o marinheiro.
José Tadeu já procurou o Procon, que se mostrou sem competência para analisar o caso, indicando ao reclamante um contato com a Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel) – orgão federal que regulamenta o setor desde a privatização, em 1997. Por sua vez, a Anatel transferiu o caso à Telepar – uma das nove operadoras da holding Brasil Telecom que, em carta-padrãoá, justificou a impossibilidade de agilizar a instalação por limitações técnicas na região. ‘‘Porém, na mesma rua, duas outras linhas foram liberadas neste intervalo’’, retruca José Tadeu.
O marinheiro tem poucas semanas para resolver pessoalmente a questão. No final do mês, sua licença de 90 dias vence e ele terá que voltar à ativa no Rio de Janeiro. ‘‘Se for preciso ponho em risco minha imagem na corporação e prorrogo a licença para resolver este caso’’, afirma.
Sua mãe sofre de problemas cardíacos e usa marcapasso. Anda com dificuldades, sequela de um atropelamento sofrido há 14 anos. Seu pai, diabético, com a visão parcialmente comprometida, sofreu uma queda, fraturou a bacia, vive com uma prótese no local e permanece em repouso.
‘‘A emprega doméstica ajuda, mas é preciso que eu esteja aqui para evitar que o isolamento deles acabe em depressão profunda’’, conta. ‘‘Tenho que seguir minha vida, mas com um telefone para acompanhar a vida deles’’, pondera o sargento. Ele se diz ‘‘estarrecido’’ com a insensibilidade da empresa telefônica e com a omissão da legislação em casos como o de sua família.

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